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Brasil condena polícia de Israel por barrar líderes católicos de celebrarem missa em Jerusalém

Veto ocorreu quando religiosos se preparavam para celebração do Domingo de Ramos. Em nota, Itamaraty afirmou que o episódio vai na contramão da liberdade religiosa

Brasil condena polícia de Israel por barrar líderes católicos de celebrarem missa em Jerusalém
Brasil condena polícia de Israel por barrar líderes católicos de celebrarem missa em Jerusalém
O Patriarca Latino de Jerusalém, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, lidera um culto de oração para marcar o Domingo de Ramos em Jerusalém em 29 de março de 2026, após o cancelamento da tradicional procissão do Domingo de Ramos do Monte das Oliveiras em meio a restrições à reunião em grandes grupos e a guerra EUA-Israel no Irã. Foto por AMMAR AWAD / POOL / AFP
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O Ministério das Relações Exteriores condenou, neste domingo 29, a decisão da polícia israelense de impedir um cardeal de acessar a Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, para as celebrações do Domingo de Ramos. 

Em nota, o órgão do governo Lula (PT) lembrou as restrições impostas por Israel em Jerusalém Oriental nas últimas semanas. O incidente ocorrido com o cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino que vive na capital israelense, não é recente.

Nos últimos dias, outros cristãos foram impedidos de acessar o mesmo santuário e muçulmanos tiveram o acesso à Esplanada das Mesquitas vetado durante o Ramadã, conforme lembrou o MRE.

Para o Itamaraty, a ação vai na contramão do princípio da liberdade de culto. O texto ainda destacou que “a continuada presença de Israel no Território Palestino Ocupado é ilícita e que aquele país não está habilitado a exercer soberania em nenhuma parte do Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental”.

Reações

O veto à entrada dos líderes religiosos na Igreja do Santo Sepulcro, tomada em meio à escalada militar no Oriente Médio, provocou reação imediata do Vaticano e de governos europeus, que classificaram o episódio como uma afronta à liberdade religiosa e um “precedente grave”.

Em comunicado conjunto, o Patriarcado Latino de Jerusalém e a Custódia da Terra Santa afirmaram que esta foi a primeira vez, em séculos, que líderes da Igreja foram impedidos de realizar a celebração no local.

Segundo a nota, os dois religiosos foram interceptados no trajeto e obrigados a retornar. As instituições classificaram o episódio como um “precedente grave” e denunciaram falta de respeito à sensibilidade de bilhões de fiéis ao redor do mundo que, neste período, voltam sua atenção para Jerusalém.

A polícia justificou a medida afirmando que a configuração da Cidade Velha e dos locais sagrados forma uma área complexa, o que dificultaria o acesso rápido de equipes de resgate em caso de ataque, representando risco real à vida.

A reação internacional foi imediata. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, classificou o episódio como “uma ofensa não apenas aos fiéis, mas a todos que defendem a liberdade religiosa”. Já o chanceler italiano, Antonio Tajani, anunciou a convocação do embaixador de Israel em Roma.

O presidente francês, Emmanuel Macron, também condenou neste domingo “a decisão da polícia israelense” de impedir o patriarca latino de Jerusalém de acessar a Igreja do Santo Sepulcro para celebrar a missa do Domingo de Ramos e afirmou prestar a ele “pleno apoio”.

“Condeno essa decisão da polícia israelense, que se soma ao aumento preocupante de violações do status dos locais sagrados de Jerusalém”, escreveu o presidente francês na rede social X.

O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa e relembra a entrada de Jesus em Jerusalém, recebido por uma multidão dias antes de sua crucificação e, segundo a tradição cristã, de sua ressurreição.

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