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Brasil assume a representação diplomática do México no Peru
Mais de dois meses após o Peru romper relações com o México, bandeira brasileira foi içada na embaixada mexicana em Lima. Rompimento ocorreu após governo mexicano conceder asilo político a ex-primeira-ministra peruana
Mais de dois meses depois de o Peru romper relações diplomáticas com o México , o Ministério das Relações Exteriores peruano informou que o Brasil assumiu a representação diplomática mexicana em seu território.
“Tendo rompido relações diplomáticas com o México, este país tem o direito de solicitar que outro país cuide de seus assuntos diplomáticos (exceto os consulares e econômicos)”, disseram fontes do Ministério das Relações Exteriores peruano à imprensa neste sábado 24. Assim, a bandeira brasileira passa a tremular no prédio da embaixada mexicana em Lima.
Rompimento de relações
O rompimento de relações ocorreu após o México conceder asilo político à ex-primeira-ministra peruana Betsy Chávez, condenada a onze anos de prisão por seu papel na tentativa de golpe de Estado liderada pelo ex-presidente Pedro Castillo (2021-2022).
Veículos de comunicação locais divulgaram imagens da troca da bandeira mexicana pela brasileira na Embaixada do México, localizada no distrito financeiro de San Isidro, na capital peruana.
No início de novembro, o governo de transição do Peru, liderado pelo presidente de direita José Jerí , anunciou o rompimento das relações diplomáticas com o México após este ter concedido asilo político a Chávez.
Dias após entrar na embaixada, Chávez recebeu uma sentença de onze anos e cinco meses de prisão por sua participação na tentativa fracassada de golpe de Estado.
No dia 7 de dezembro, o então presidente Pedro Castillo tentou dissolver o Congresso, intervir nos poderes públicos e governar por decreto, mas não recebeu apoio legislativo. Em seguida, foi destituído e detido, e agora é investigado por rebelião e conspiração.
“Medida hostil”
O governo peruano descreveu a medida como hostil e afirmou que Chávez, que permanece na embaixada aguardando salvo-conduto para deixar o país, não era uma refugiada política, mas sim havia cometido um crime comum.
Além disso, o Congresso peruano declarou a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, “persona non grata” por sua “interferência inaceitável nos assuntos internos do Peru”.
O Brasil também assumiu a representação da Venezuela no Peru, já que os dois países romperam relações diplomáticas depois que a nação andina reconheceu o líder da oposição Edmundo González Urrutia como presidente do país caribenho.
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