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Boris Johnson enfrenta pedidos de renúncia por festa em meio a confinamento

O primeiro-ministro britânico pediu ‘desculpas sinceras’ ao admitir que furou as regras de confinamento ao participar de uma festa em Downing Street

O primeiro-ministro Boris Johnson. Foto: Alberto Pezzali/AFP
O primeiro-ministro Boris Johnson. Foto: Alberto Pezzali/AFP
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O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, pediu “desculpas sinceras” nesta quarta-feira 12 ao admitir pela primeira vez que furou as regras de confinamento ao participar de uma festa em Downing Street, sua residência oficial, enquanto o país era exortado a se isolar para a contenção da pandemia.

O caso veio à tona pela primeira vez quando os jornais britânicos The Guardian e The Independent fizeram uma investigação jornalística apontando que um grupo de cerca de 20 funcionários do governo fez uma festa em 15 de maio de 2020. No mês passado, uma foto do evento regado a queijo e vinho mostrava o premiê no jardim da residência oficial, o que contrariava sua versão de que não havia ocorrido festa alguma.

Na última segunda-feira 10, a crise de imagem de Boris se agravou quando a rede britânica ITV divulgou um e-mail enviado pelo secretário particular do premiê convidando ao menos 100 funcionários do governo para a ocasião.

“Depois de um período incrivelmente movimentado, seria bom aproveitar ao máximo o clima agradável e tomar, com distanciamento social, algumas bebidas, nos jardins do número 10 (referência ao endereço 10, Downing Street), nesta noite”, dizia a mensagem enviada por Martin Reynolds. “Por favor, junte-se a nós a partir das 18h e traga sua própria bebida!”

À época, vigoravam restrições severas impostas pelo governo para tentar frear a disseminação do coronavírus. Elas incluíam o veto ao funcionamento de bares e restaurantes e proibiam reuniões de mais de duas pessoas residentes em casas diferentes.

Diante do Parlamento, Boris disse nesta quarta que a indignação que as revelações causaram é compreensível. “Entendo a raiva que eles sentem de mim pelo governo que lidero quando pensam que em Downing Street as regras não estão sendo seguidas adequadamente pelas pessoas que fazem as regras.”

Na versão do premiê, ele permaneceu na festa por 25 minutos para agradecer aos funcionários e depois voltou a seu escritório para continuar trabalhando. “Olhando em retrospecto, eu deveria ter mandado todos de volta para dentro.”

A admissão e o pedido de desculpas, no entanto, não acalmaram os ânimos dos parlamentares que já vinham submetendo o premiê a um processo de fritura nos últimos meses.

“A festa acabou, primeiro-ministro”, disse Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista, de oposição, acrescentando que Boris deve renunciar a seu cargo e que o público o considera um mentiroso.

“Depois de meses de engano e engano, o espetáculo patético de um homem que ficou sem estrada. Sua defesa de que ele não percebeu que estava em uma festa é tão ridícula que chega a ser ofensiva para o público britânico.”

Voto de confiança

Boris Johnson pode ser retirado do cargo, mas o processo é burocrático e demanda articulação política além dos bastidores. Para isso acontecer, ao menos 15% da bancada do Partido Conservador (55 dos 361 correligionários de Boris) no Parlamento precisa escrever cartas ao órgão conhecido como Comitê de 1922. Se houver esse quórum, é convocado o que o sistema parlamentarista chama de “voto de confiança”.

As cartas ao Comitê de 1922 são confidenciais, então a única pessoa que sabe informar quantos pedidos pelo voto de confiança foram enviados é o presidente do órgão, Graham Brady. É ele também quem decide a data da possível votação, em consulta com o líder do Partido Conservador.

Em 2018, quando a então primeira-ministra Theresa May enfrentou um voto de confiança, a votação foi realizada no mesmo dia em que o presidente do Comitê anunciou ter recebido cartas suficientes para dar início ao processo.

Aberta a votação, todos os parlamentares conservadores podem votar a favor ou contra Boris. Se o premiê vencer, ele permanece no cargo e não pode ser novamente contestado pelos próximos 12 meses. Se perder, é forçado a renunciar e impedido de concorrer na escolha do próximo líder.

Estadão Conteúdo

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