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Berlusconi é condenado por violação de sigilo processual
Ex-premier italiano divulgou em seu jornal escutas telefônicas protegidas para prejudicar líder da oposição nas eleições de 2005
ROMA (AFP) – O ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, também magnata da comunicação, foi condenado nesta quinta-feira 7 a 1 ano de prisão por violar o segredo de instrução no caso Unipol, informaram fontes judiciais.
Segundo a acusação, Berlusconi divulgou ilicitamente no Il Giornale, jornal de propriedade de sua família, notícias e escutas telefônicas protegidas por sigilo para prejudicar o líder da oposição Piero Fassino às vésperas das eleições de 2005.
O ex-premier recorrerá da sentença, uma das três que serão pronunciadas contra ele neste mês. Ele está sendo julgado ainda por prostituição de menores e abuso de poder no caso Ruby, além de fraude fiscal no Mediaset.
Por ter sido condenado a uma pena menor de dois anos e por ser maior de 75 anos, a justiça italiana não prevê que ele seja preso.
O ex-premier foi acusado em 2005 de publicar a conversa telefônica entre o líder de esquerda Piero Fassino e o presidente da companhia de seguros Unipol, Giovanni Consorte, que esperava tomar o controle do Banco Nazionale del Lavoro. No diálogo, Fassino confessava a Consorte: “Temos um banco.”
A conversa formava parte das atas do processo quando foi publicada pelo jornal, oficialmente de propriedade do irmão, Paolo Berlusconi, condenado também a 2 anos e 3 meses de prisão.
Para os juízes, não se tratou de um “simples vazamento de notícias”, mas de uma estratégia para desacreditar o então líder da oposição de esquerda, faltando poucos meses para eleições chave.
Os advogados de Berlusconi conseguiram em meados de janeiro adiar para março a data da sentença pelo fato de o magnata liderar a campanha eleitoral para as eleições legislativas do fim de fevereiro.
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