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Berlim amplia proibição de fogos de artifício no Ano Novo

Todos os anos, cerca de 8 mil pessoas entram nos serviços de emergência alemães com perda parcial ou total da função auditiva

(Foto: Banco de Imagens)
(Foto: Banco de Imagens)

Berlim é um dos destinos mais procurados pelos turistas para a virada do ano na Europa. A tradicional festa de réveillon, com espetáculo de fogos de artifício, acontece no Portão de Brandemburgo. Neste ano, para evitar a utilização abusiva dos explosivos, que causam ferimentos em milhares de pessoas, as autoridades decretaram a proibição da queima de fogos em duas novas áreas da cidade.

A venda de fogos de artifício para as festas de fim de ano começou no último sábado 28 na Alemanha. Mas a prefeitura de Berlim tenta reprimir os abusos observados a cada ano e, desta vez, proibiu a queima de fogos nas proximidades da praça Alexanderplatz e num quarteirão em Schöneberg, bairro residencial da zona sul da capital.

Essas duas áreas são conhecidas como ponto de encontro de jovens “pirotécnicos amadores” que atacam passantes, carros particulares e ônibus nas ruas. Até as forças de segurança são alvejadas com rojões “festivos”. No ano passado, foram registrados 40 ataques contra policiais e quase 50 contra bombeiros numa dessas áreas. No sábado, no primeiro dia das vendas, oito pessoas foram detidas pela polícia temporariamente portando fogos ilegais e uma grande explosão, no bairro de Schöneberg, danificou dois automóveis.

Os participantes que vão ao Portão de Brandemburgo para a festa oficial da cidade também não podem acessar a área com rojões. Quase dois mil policiais adicionais serão acionados na noite desta terça-feira (31) para patrulhar as regiões consideradas sensíveis.

As leis alemãs proíbem a queima de fogos fora dos dias 31 de dezembro e 1° de janeiro. Possuir, vender e detonar fogos de artifício no resto do ano é crime passível de punição que vai até três anos de prisão ou multa de até € 50 mil, a não ser que haja autorização prévia das autoridades, como no caso de eventos especiais.

Alemães apoiam proibição

Cada vez mais cidades alemãs proíbem os fogos de artifício no período de festas, principalmente nos centros históricos. Em todo o país, cerca de 30 municípios adotaram essa prática. A medida é apoiada por grande parte da população.

Uma pesquisa recente do instituto Forsa apontou que 74% dos berlinenses consideram que os fogos do fim de ano são excessivos. Ao todo, 62% dos berlinenses são a favor de uma proibição da queima privada no réveillon. Outra sondagem, do instituto de pesquisas YouGov, apontou que 57% dos alemães é a favor da interdição desse tipo de explosivo. Para 86% dos entrevistados, os fogos causam muito lixo nas ruas.

Os casos de ferimentos graves e incêndios provocados pelos rojões também contribuem para uma rejeição cada vez maior da população alemã. Segundo entidades médicas, são registrados todo ano 8 mil casos de pacientes com perda parcial ou total da função auditiva, alguns deles em caráter permanente.

Clínicas de oftalmologia alemãs têm observado, nos dias em torno do réveillon, uma média de mais de 800 casos de ferimentos de olhos devido à pirotecnia, de acordo com a Sociedade Alemã de Oftalmologia. Em Berlim, é possível dizer, sem perigo de exagerar, que os sons de sirenes de ambulâncias e caminhões de bombeiros se mesclam às explosões do réveillon na noite de 31 de dezembro.

 

Danos ambientais

Os danos ambientais são um outro aspecto negativo apontado pelos críticos. As explosões de fogos aumentam a poluição do ar, jogando toneladas de micropartículas que permanecem por horas na atmosfera e são, inclusive, cancerígenas, além de perturbarem a fauna local devido ao barulho.

Segundo dados das autoridades alemãs do meio ambiente, cerca de 5 mil toneladas de partículas são liberadas no réveillon na Alemanha. Num intervalo de poucas horas, o país registra uma poluição derivada dos rojões equivalente à liberada pelo trânsito de automóveis em dois meses.

Esse debate levou uma série de supermercados a renunciar, pela primeira vez, à venda de fogos de artifício, abrindo mão de uma importante fonte de lucro. No réveillon passado, o faturamento do comércio com os explosivos festivos foi de € 133 milhões.

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