Bashar al-Assad é eleito para o 4º mandato na Síria, com 95% dos votos

Para o governo sírio, a eleição demonstra a soberania diante do bloco ocidental liderado pelos Estados Unidos

Sírios levantam bandeiras em homenagem a Bashar al-Assad um dia após eleição. Foto: Louai Beshara/AFP

Sírios levantam bandeiras em homenagem a Bashar al-Assad um dia após eleição. Foto: Louai Beshara/AFP

Mundo

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, foi reeleito para o 4º mandato com 95,1% dos votos, anunciou o presidente do Parlamento do país, Hamuda Yusuf Sabaq, nesta quinta-feira 27.

 

 

As votações ocorreram em 20 de maio, para quem estava fora do país, e em 26 de maio, no âmbito doméstico. Dos 18,1 milhões de eleitores convocados, 14,2 milhões votaram (78,66%), e 13,5 milhões de votos foram computados em favor de Assad. As informações foram divulgadas pela agência de notícias Sana.

Assad enfrentou dois candidatos na disputa: Mahmoud Ahmad Meri, líder da oposição pela Frente Democrática Síria, que terminou com 3,3% dos votos; e Abdullah Saloum Abdullah, do Partido União Socialista, que obteve 1,5%.

Cada mandato presidencial na Síria tem 7 anos. Assad, aos 55 anos, está no poder desde 2000, graças a um referendo em que foi vencedor com 97,2%. Em 2007, foi eleito novamente com 97,6%. Em 2014, ganhou com 88,7%. Seu pai, Hafez al-Assad, governou a Síria entre 1971 e 2000, mediante um golpe de Estado.

No início da semana, as eleições na Síria foram acusadas de fraude pelos Estados Unidos e outras potências, por não serem consideradas livres ou justas. Assad rebateu as colocações na quarta-feira 26, em entrevista a jornalistas: “Acredito que a mobilização que vimos nas últimas semanas apresenta uma resposta suficiente e clara que afirma: ‘As opiniões de vocês não têm nenhum valor, o valor de vocês equivale a 10 zeros'”. O chanceler Faisal al Miqdad chegou a dizer, dias antes, que “as eleições sírias são mil vezes melhores que as dos Estados Unidos”.

Os partidários de Assad creem que a realização das eleições demonstra a soberania do país diante do bloco ocidental que interveio na guerra civil, que durou 10 anos. A expectativa é de que o governo siga tentando afastar forças estrangeiras consideradas como terroristas que ainda estão presentes no país.

Conforme mostrou CartaCapital, o período da guerra na Síria tem diferentes versões, tanto sobre o papel executado por Assad, quanto por países como Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Israel, Turquia e monarquias do Golfo, movidos por interesses que envolvem desde a descoberta de reservas de petróleo e gás até questões religiosas. Especialistas qualificam a Síria como um campo de guerra entre esse bloco e a Rússia, a China e o Irã.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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