Esporte
Autoridades diplomáticas do Paraguai pedem desculpas após novos ataques de senadora a Mbappé
Depois de ataques nas redes sociais, a parlamentar atacou o francês durante uma sessão no congresso paraguaio
Os ataques discriminatórios feitos pela senadora paraguaia Celeste Amarilla contra o jogador francês Kylian Mbappé intensificaram-se nos últimos dias, transformando-se em uma questão política. Nesta quarta-feira 8, autoridades diplomáticas do Paraguai pediram desculpas formais à França pelos atos da parlamentar, que voltou a ofender o atleta.
Quando parecia que as ofensas de Amarilla contra Mbappé haviam atingido o seu limite, a senadora paraguaia voltou a atacar o jogador francês durante uma sessão do Senado, com insultos ainda piores. “Esse filho da p* se recusa a apertar a mão dele [goleiro paraguaio] e grita na cara dele. Isso não é coisa de francês. Um francês não teria feito isso. Nunca, jamais!”, declarou ela.
Os ataques de Amarilla contra Mbappé começaram depois que a França eliminou o Paraguai nas oitavas de final da Copa do Mundo, no último sábado.
O jogador francês teria se recusado a cumprimentar o goleiro adversário ao fim da partida, marcada por provocações e hostilidades em campo.
Também houve reações de torcedores. Após a eliminação de sua seleção, paraguaios queimaram um boneco de Mbappé nas ruas de Assunção. Esse episódio aconteceu no contexto de festa de San Juan Ara, de tradição católica, que envolve a preparação do “Judas Kai” – ou “fogueira de Judas” – para promover uma vingança simbólica contra uma figura impopular.
Dimensão diplomática
A situação escalou a ponto de exigir intervenção diplomática. As autoridades paraguaias enviaram uma carta ao governo francês, apresentando desculpas e distanciando-se da controvérsia.
A ministra do Esporte da França, Marina Ferrari, confirmou o recebimento de desculpas do governo paraguaio e deixou um aviso à senadora: “Acho que nossos cidadãos saberão como recebê-la. Não cabe a mim declará-la persona non grata, mas ela não terá uma recepção muito calorosa”, afirmou.
Amarilla recusa-se a pedir desculpas após proferir insultos discriminatórios contra o jogador – chamando-o de “bruto”, “novo-rico” ou “camaronês colonizado que finge ser francês”, apesar de Mbappé ter nascido em Paris.
Enquanto isso, Guillermo Duarte Cacavelo, advogado de Celeste Amarilla, alegou na quarta-feira que o atacante poderia ser extraditado para o Paraguai por difamação – uma alegação que carece de qualquer fundamento jurídico.
‘Unanimidade na classe política francesa’
As declarações mais recentes de Celeste Amarilla provocaram uma nova onda de críticas, chegando até mesmo às Nações Unidas, que expressaram apoio ao capitão da seleção francesa e condenaram veementemente os ataques racistas que ele sofreu.
As autoridades judiciais da França abriram uma investigação por injúria pública e incitação ao ódio e à violência, após uma denúncia apresentada pela Federação de Futebol do país.
Eleonore Caroit, ministra encarregada de Parcerias Internacionais e Francesas no Exterior, disse que “esse tipo de comportamento, atitude e agressão verbal é totalmente intolerável”.
“E acredito que houve unanimidade em toda a classe política francesa na condenação de tais declarações. No entanto, obviamente, essas declarações refletem apenas a sua autora, a senadora Celeste Amarilla, e de forma alguma representam a posição do governo paraguaio”, analisou.
Caroit afirmou que é “totalmente inaceitável” o “discurso de ódio e uma normalização desse tipo de retórica”, acrescentando que é necessária uma postura mais combativa de Paris. “Não podemos ficar de braços cruzados. Essa condenação também deve se traduzir em ações”, enfatizou ela.
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