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Atentado contra ex de Cerimedo reacende suspeita de corrupção no governo de Milei
A mulher, vítima de um ataque a tiros na Bolívia, afirmou ao jornal argentino ‘Pagina/12’ ter gravações comprometedoras envolvendo a Casa Rosada
O ataque a tiros contra a advogada Nadia Beller em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, pode ter consequências políticas para o governo do presidente da Argentina, Javier Milei. A figura-chave é o “consultor político” argentino Fernando Cerimedo, preso sob suspeita de ser o mandante do atentado contra a ex-companheira.
Cerimedo é um personagem influente na ultradireita latino-americana. Coordenou a estratégia digital da campanha de Milei à Casa Rosada em 2023. Um ano antes, em 2022, foi peça importante na campanha do clã Bolsonaro contra as urnas eletrônicas — ajudou, por exemplo, a disseminar alegações falsas sobre o sistema eleitoral no Brasil.
Nadia Beller segue internada no Hospital Las Américas, em Santa Cruz, mas afirmou ao jornal Pagina/12, de Buenos Aires, que Cerimedo conversou com ela “muitas vezes sobre corrupção” no governo Milei. As declarações reacendem a discussão sobre um possível esquema na Agência Nacional de Deficiência (Andis), dissolvida em dezembro de 2025 após denúncias que atingiram Karina Milei, irmã do presidente.
O caso explodiu em agosto do ano passado, graças à divulgação de áudios atribuídos ao ex-diretor da Andis Diego Spagnuolo nos quais ele afirmava que Karina, secretária-geral da Presidência, recebia 3% do valor pago pela agência na compra de medicamentos.
Beller disse ao Pagina/12 que o próprio Cerimedo e outra ex-esposa sua, Natalia Basil, foram os responsáveis pelo vazamento das gravações de Spagnuolo. Afirmou também ter registros de confissões do ex-companheiro. “Elas duram mais de uma hora e eu as tenho salvas em diferentes dispositivos”, detalhou.
Segundo a advogada, suas gravações contém diversos trechos em que Cerimedo trataria o governo de Milei como “uma panela de pressão repleta de corrupção”. Ela declarou que a captação dos áudios ocorreu como forma de precaução diante de uma possível campanha difamatória que temia ter de enfrentar.
A deputada nacional Marcela Pagano já solicitou que o fiscal Franco Piccardi, responsável pela investigação do chamado Caso Andis, ouça Nadia Beller. Até a publicação deste texto não havia, porém, resposta ao pedido.
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