Ataques israelenses já deixaram mais de 100 mortos na Faixa de Gaza

A violência continua a crescer, apesar dos apelos internacionais para encerrar essa escalada

Foto: Said KHATIB / AFP

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Mundo

Israel posicionou tanques e veículos blindados ao longo da fronteira da Faixa de Gaza, no quarto dia de um novo conflito sangrento com grupos armados palestinos, acompanhado por uma explosão de violência entre judeus e árabes em território israelense.

Uma intervenção terrestre, apresentada como uma das opções em estudo pelo Exército de Israel, agravaria a crise. Segundo balanço do Ministério da Saúde de Gaza publicado no final do dia nesta quinta-feira 13, os bombardeios israelenses em retaliação ao lançamento de foguetes por grupos islâmicos da Faixa de Gaza já mataram ao menos 103 palestinos, incluindo 27 crianças, em quatro dias. Os disparos também deixaram mais de 580 palestinos feridos desde segunda-feira 10. Em Israel, sete pessoas morreram, incluindo uma criança e um soldado.

A violência continua a crescer, apesar dos apelos internacionais para encerrar essa escalada: centenas de foguetes foram novamente disparados contra Israel pelo Hamas e outros grupos armados palestinos a partir da Faixa de Gaza, enquanto a aviação israelense realizou inúmeros ataques aéreos e de artilharia contra o território palestino, submetido a um bloqueio israelense há mais de 10 anos.

Nesta quinta-feira 13, três foguetes foram disparados do sul do Líbano em direção a Israel, segundo uma fonte militar libanesa. A origem dos disparos é desconhecida até o momento, mas duas fontes próximas ao movimento xiita Hezbollah informaram que o grupo armado libanês não está envolvido no incidente. Israel confirmou os disparos, mas afirmou que os foguetes caíram no mar Mediterrâneo.

Uma reunião marcada para sexta-feira 14 no Conselho de Segurança da ONU para discutir a escalada, a mais grave em sete anos, acabará não acontecendo. Os Estados Unidos rejeitaram a proposta, pois apoiam o posicionamento de seu aliado israelense, que recusa o envolvimento da ONU.

Em sucessivas declarações desde o início da crise, os Estados Unidos reafirmaram o direito de Israel de se defender dos ataques de foguetes do movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, mas também pediram uma redução da escalada de resposta. Washington também solicitou ao seu aliado israelense que faça “todo o possível para evitar vítimas civis”.

O presidente francês, Emmanuel Macron, que falou com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, “condenou veementemente os ataques de foguetes lançados pelo Hamas e por outros grupos terroristas” palestinos, que, segundo ele, “colocam” em perigo a população de Tel Aviv “e minam” a segurança do Estado de Israel, diz uma nota divulgada pelo Palácio do Eliseu.

 

EUA “profundamente preocupados” com violência dentro de Israel

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, manifestou preocupação com a violência nas ruas de Israel”, onde confrontos entre judeus e árabes acompanham o novo conflito entre o Hamas e o Estado hebreu. Judeus e palestinos “merecem participar de celebrações sem medo da violência”, disse Blinken. A população árabe de Israel, assim como muçulmanos em todo o planeta, começaram a comemorar nesta quinta a Eid al-Fitr, festa religiosa que encerra o Ramadã, o período sagrado de jejum dos muçulmanos.

Ainda nesta quinta-feira, um homem abriu fogo contra um grupo de judeus ferindo uma pessoa na cidade israelense de Lod, palco de incidentes violentos nos últimos dias. “Na cidade de Lod, um grupo de judeus foi baleado. Havia um ferido, a polícia está procurando suspeitos”, confirmou um porta-voz da polícia israelense, Micky Rosenfeld.

Dias atrás, o árabe-israelense Mussa Hassuna foi morto a tiros durante um confronto entre nacionalistas judeus e jovens árabes nesta cidade mista no centro de Israel.

A violência em cidades como Lod estourou após incidentes em Jerusalém Oriental entre palestinos que protestavam contra a expulsão de famílias de um bairro da cidade. Esses incidentes se transformaram em distúrbios graves na Esplanada das Mesquitas, local sagrado para os muçulmanos em Jerusalém. Em seguida, o movimento islâmico Hamas disparou foguetes da Faixa de Gaza, desencadeando os piores incidentes militares na área desde a guerra de 2014.

Na quarta-feira, um árabe israelense de 33 anos foi atacado por militantes de extrema direita em Bat Yam, perto de Tel Aviv. O homem foi levado ao hospital com fraturas no rosto e nas costelas.

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