'Ou pare de gravar ou mato você, viado', teria dito um dos agressores; manifestações ocorreram em todo o país

Assassinato de brasileiro provoca protestos contra a homofobia na Espanha

'Ou pare de gravar ou mato você, viado', teria dito um dos agressores; manifestações ocorreram em todo o país

Samuel Luiz Muñiz, de apenas 24 anos, foi espancado até a morte por 13 homens aos gritos de

Samuel Luiz Muñiz, de apenas 24 anos, foi espancado até a morte por 13 homens aos gritos de "viado de merda". Crédito: Redes sociais

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Na última segunda-feira, 5, centenas de pessoas foram às ruas de várias cidades espanholas para protestar contra o assassinato do jovem de origem brasileira Samuel Luiz Muñiz, de apenas 24 anos. “Samuel não morreu. Ele foi brutalmente espancado e assassinado. São coisas distintas”, diz a psicóloga Marta García Jiménez, 26. Com uma bandeira gay nas mãos, Marta é uma das jovens que marcam presença na manifestação que ocorre na Puerta del Sol, no centro de Madri, capital espanhola. O cenário é de tristeza e indignação. “É claramente um crime homofóbico. Algo precisa ser feito”, afirma o estudante Alejandro Gomes, 22.

O assassinato brutal de Samuel ocorreu na madrugada do último dia 1 de julho, em La Coruña, no noroeste da Espanha. O auxiliar de enfermagem, que nasceu no Brasil e se mudou para a Espanha com 1 ano de idade, foi barbaramente espancado até a morte em frente a uma casa noturna. Era a segunda noite em que as boates da cidade abriram suas portas desde o início da pandemia, em março de 2020. “Viado de merda. Essa foi a última frase que Samuel ouviu antes de morrer. Ele era um menino doce, sensível e sempre disposto a ajudar”, salienta Lina, que estava com o jovem no momento das agressões.

De acordo com Lina, os dois deixaram a casa noturna pouco antes das 3h da manhã para fumar e fazer uma videochamada a Vanessa, namorada de Lina. Em um momento da conversa, entretanto, a dupla foi intimidada por um rapaz, que passou por eles acompanhado por uma mulher e reclamou que estava sendo filmado. “Ou pare de gravar ou te mato, viado!”, disse ele a Samuel.

 

O auxiliar de enfermagem tentou explicar que estava numa ligação com outra pessoa, mas, antes de terminar de falar, foi agredido com um soco no rosto. Lina e um jovem desconhecido teriam conseguido parar o agressor. Minutos depois, entretanto, ele teria retornado ao local com, aproximadamente, 13 pessoas. O grupo, então, espancou Samuel até a morte, aos gritos de “maricón de mierda” (viado de merda). A equipe de socorro foi acionada e tentou reanimá-lo por duas horas. Samuel morreu poucos minutos depois de chegar ao hospital.

Apesar dos relatos das testemunhas, a polícia todavia investiga se foi um crime homofóbico. As câmeras de segurança do local ainda estão sendo analisadas. Na tarde desta terca-feira, 6, a Polícia Nacional deteve três jovens com idade de 20 a 25 anos. “Peço prudência e responsabilidade nesses momentos. Não nos esqueçamos da agressão brutal sofrida por Samuel. Não podemos permitir essa violência”, declarou o delegado José Miñones. 

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, também lamentou o episódio. “Confio plenamente na investigação da polícia. Muito em breve saberemos quem são os responsáveis pelo assassinato de Samuel. Foi um ato selvagem e impiedoso. Não daremos um passo atrás dos direitos conquistados pela Espanha. Nosso país não tolerará isso. Todo meu apoio à família e aos amigos de Samuel”, escreveu ele em sua conta oficial no Twitter.

O assassinato comoveu o país. Coletivos LGTBIs convocaram protestos em La Coruña, Madri, Valência, Múrcia, Aragón, Asturias e Catalunha. Todos pediam justiça por Samuel. Na zona central de La Coruña, na praça Maria Pita, milhares de pessoas, incluindo amigos e familiares, choravam por ele.

O pai de Samuel, Max Luiz, pediu que o assassinato de seu filho seja utilizado como bandeira para lutar conta a homofobia. Luiz também enviou uma carta à imprensa: “Levaram embora a única luz que iluminou a nossa vida. Sabemos que ainda teremos um longo caminho a percorrer; seremos apoiados pela nossa família, amigos e colegas que nos ajudarão a sair deste caminho tenebroso”, diz a mensagem.

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Editor de redes sociais da CartaCapital

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