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Artemis 2 pousa na Terra após missão histórica na Lua

Tripulação enfrentou temperaturas extremas em altíssima velocidade para reentrar na atmosfera, com ajuda de paraquedas. Foi a primeira missão tripulada desde 1972

Artemis 2 pousa na Terra após missão histórica na Lua
Artemis 2 pousa na Terra após missão histórica na Lua
Os astronautas Victor Glover, piloto da Artemis II, e Christina Koch, após o retorno à Terra, em 11 de abril de 2026. Foto: Bill Ingalls/Nasa/AFP
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Os quatro astronautas que fizeram história ao alcançar a órbita da Lua pela primeira vez em mais de meio século retornaram à Terra nesta sexta-feira 10. A missão de dez dias da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, sobrevoou o satélite natural – sem pousar – e se tornou a primeira viagem tripulada a atingir a órbita lunar desde 1972.

A Cápsula Orion pousou no Pacífico às 21h07 (horário de Brasília), na costa de San Diego, cidade do estado da Califórnia, nos Estados Unidos. Conforme esperado, os astronautas perderam contato por seis minutos, e a cápsula se tornou uma espécie de “bola de fogo”, durante um dos momentos mais tensos de toda a missão.

A aterrissagem contou com onze enormes paraquedas, antes que a Marinha dos EUA buscasse a tripulação e os levasse de volta à terra firme. O navio de resgate USS John P. Murtha aguardava a sua chegada, assim como um esquadrão de aviões militares e helicópteros.

Segundo a Nasa, a tripulação percorreu um total de 694.481 milhas, o equivalente a cerca de 1.117.659 quilômetros. A aproximação à Lua levou os astronautas mais longe do que qualquer ser humano jamais havia chegado, superando o recorde de distância anterior estabelecido pela Apollo 13 em 1970.

“Os Estados Unidos voltaram a enviar astronautas à Lua e a trazê-los de volta em segurança”, afirmou Jared Isaacman, administrador da Nasa, sobre a missão.

Por sua vez, o presidente Donald Trump parabenizou a tripulação, que deverá visitar em breve a Casa Branca. Ele antecipou que o seu governo continuará impulsionando a exploração espacial.  “Faremos de novo e, depois, próximo passo, Marte”, disse o republicano.

Mais de 30 vezes a velocidade do som

O pouso exigiu uma manobra tão crítica quanto o lançamento. A previsão era de uma queda a velocidade 45 vezes maior do que a de um avião, com temperaturas a quase metade das da superfície do Sol.

A bordo da Cápsula Orion, Reid Wiseman, Christina Koch, Victor Glover e Jeremy Hansen não apenas sentiram o peso deles multiplicado por quatro durante a queda, mas também enfrentaram temperaturas extremas de cerca de 2.700 °C, depositando sua segurança no escudo térmico da nave, outro dos testes decisivos da missão Artemis 2.

“Pilotar uma bola de fogo pela atmosfera é algo extremamente profundo”, disse Glover em vídeo antes da operação de reentrada. No momento em que atingissem a atmosfera, eles viajariam a 32 vezes a velocidade do som, um feito inédito desde as missões Apollo da Nasa às Luas nas décadas de 1960 e 1970.

A Cápsula Orion é totalmente autônoma, não exigindo controle manual dos astronautas, exceto em caso de emergência.

Manobra de “alto risco”

O engenheiro espanhol Carlos García-Galán, responsável pelo programa Moon Base da Nasa, explicou que o lançamento e a decolagem são as manobras de maior risco.

Ele destacou que o retorno permite atingir a velocidade necessária para testar o escudo térmico que protege os astronautas das “temperaturas extremamente altas geradas pelo atrito com a atmosfera ao entrar na Terra”.

“Só podemos alcançar esta velocidade se formos em direção à Lua”, acrescentou ele à agência EFE.

Durante um voo de teste, ocorreram problemas com o escudo térmico. Em consequência, a Nasa optou por uma rota diferente para a reentrada na atmosfera.

O administrador da Nasa, Jared Isaacman, chegou a afirmar que não ficaria tranquilo até que os quatro tripulantes retornem para suas famílias.

“Vou ser honesto e dizer que, na verdade, venho pensando na reentrada desde 3 de abril de 2023, quando nos designaram essa missão”, disse à imprensa Rick Henfling, diretor de Voo para o Retorno da Artemis.

Recorde de distância da Terra

Depois de decolar da Flórida em 1º de abril, os astronautas acumularam uma conquista após a outra ao conduzirem com destreza o tão esperado retorno lunar da Nasa, o primeiro grande passo para o estabelecimento de uma base lunar sustentável.

Na cena mais comovente da missão, os astronautas, com lágrimas nos olhos, pediram permissão para batizar duas crateras com os nomes da nave lunar e da falecida esposa de Wiseman, Carroll.

Durante a aproximação recorde, eles documentaram cenas do lado oculto da Lua e apreciaram um eclipse solar total, uma cortesia do cosmos graças à data de lançamento. O eclipse, em particular, “simplesmente nos deixou boquiabertos”, disse Glover.

Problemas a bordo

No entanto, a viagem não ocorreu sem problemas técnicos. Tanto o sistema de água potável quanto o de propulsão da cápsula enfrentaram percalços com as válvulas. O contratempo mais notável foi no banheiro, o que impediu a tripulação de usá-lo durante a maior parte da viagem, forçando os astronautas a recorrer a sacolas plásticas e funis.

Mas isso não preocupou os astronautas. “Não podemos explorar mais a fundo a menos que façamos algumas coisas que sejam inconvenientes”, disse Koch, “a menos que façamos alguns sacrifícios, a menos que assumamos alguns riscos, e tudo isso vale a pena.”

Em 2027, a missão Artemis 3 prevê a acoplagem da cápsula a um ou dois módulos de pouso lunar em órbita ao redor da Terra. Já a Artemis 4 tentará pousar uma tripulação de dois astronautas perto do polo sul da Lua em 2028.

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