Economia

Argentina tem 99% de chances de entrar em recessão nos próximos meses

A conclusão aparece em um estudo realizado regularmente pelo Centro de Pesquisa Financeira da Universidade Torcuato Di Tella

Argentina tem 99% de chances de entrar em recessão nos próximos meses
Argentina tem 99% de chances de entrar em recessão nos próximos meses
O presidente da argentina Javier Milei. Foto: SAUL LOEB / AFP
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As chances de a economia argentina entrar em recessão técnica nos próximos seis meses chegaram a 99%, segundo um estudo conduzido pelo Centro de Pesquisa Financeira da Universidade Torcuato Di Tella divulgado nesta sexta-feira 20. Os dados levam em conta índices de janeiro, que confirmam uma tendência já registrada em novembro e em dezembro de 2025.

A recessão técnica ocorre quando o Produto Interno Bruto (PIB) de um país apresenta dois trimestres consecutivos de queda na comparação com o trimestre anterior.

A probabilidade propagada pela Universidade nesta sexta tem como base o chamado Índice Líder (IL), monitoramento que visa antecipar mudanças no nível de atividade econômica da Argentina. A metodologia adotada sintetiza informações do mercado financeiro, da produção industrial, da arrecadação de impostos, do consumo e da confiança do consumidor. Deste modo, o IL busca suavizar a volatilidade dos pontos monitorados, segundo descrição da própria universidade. Na prática, o índice mede “o verdadeiro pulso das ruas e do mercado”.

Em janeiro, o IL caiu 0,58% na sua versão ajustada sazonalmente. Na comparação anual, a queda chega a 1,99%.

Em novembro e em dezembro do ano passado, convém lembrar, o Centro de Pesquisas Financeira já havia citado chances de recessão técnica acima dos 98% no país governado pelo ultraliberal Javier Milei. Os dados de janeiro, portanto, apenas confirmam o sinal de alerta dado pela universidade ao final de 2025.

Poucos sinais de melhora

Outro elemento citado pela instituição para chegar a conclusão sobre a economia argentina é o chamado Índice de Difusão. O monitor mede quantos dos componentes analisados no Índice Líder apresentam sinais de melhora significativa. Em janeiro, o ID foi de 30%. Isso significa que apenas três das dez variáveis ​​que compõem o IL registraram mudanças positivas relevantes.

“A queda do IL em janeiro deve-se principalmente ao declínio dos índices do mercado de ações, dos índices de produção industrial e da arrecadação do IVA em termos reais”, disse, em nota, Martín González-Rozada, pesquisador responsável pelo estudo na Universidade Torcuato Di Tella.

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