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Argentina decreta emergência por incêndios na Patagônia
Anúncio veio após críticas de inação do governo de Javier Milei, que subiu ao palco com ex-namorada comediante para cantar e dançar enquanto governadores da região pediam recursos para conter chamas
O governo da Argentina anunciou que decretará estado de emergência devido ao avanço dos incêndios que já destruíram mais de 45 mil hectares de florestas na região da Patagônia desde o início do ano.
O chefe de Gabinete do presidente Javier Milei, Manuel Adorni, publicou na rede social X, na quinta-feira 29, que o decreto de necessidade e urgência vai abranger as províncias de Chubut, Río Negro, Neuquén e La Pampa, facilitando o envio de recursos para prevenir e conter as chamas.
Os governadores dos estados patagônicos haviam manifestado na terça-feira que “a magnitude dos incêndios” exige “ferramentas excepcionais” – num contexto de mudanças nas condições climáticas e redução dos recursos estatais para prevenção de desastres ambientais.
O governo Milei é criticado pelo corte de verbas para os parques nacionais e o desmantelamento de órgãos e políticas ambientais, o que prejudicaram a capacidade de prevenção e resposta diante da tragédia.
A dança de Milei
O governo federal liberou ainda na quinta-feira 100 bilhões de pesos (aproximadamente 360 milhões de reais) às associações de bombeiros voluntários que combatem os incêndios e à Agência Federal de Emergências.
A resposta tardia de Milei veio após a repercussão negativa da participação do presidente em apresentação de sua ex-namorada, a comediante Fátima Florez, em teatro em Mar del Plata, na noite de terça-feira, durante evento organizado pela direita argentina chamado La Derecha Fest.
Até então, mesmo em meio à tragédia que tem destruído áreas de preservação e colocado em risco a população e brigadistas, ele havia negado o envio de verbas, enquanto destacava em suas redes sociais a “histórica luta contra o fogo” do governo.
Organizações ambientalistas têm protestado nas últimas semanas contra o corte de financiamento por parte do governo federal às políticas de prevenção, alerta precoce e gestão do fogo, assim como às políticas que poderiam reduzir os impactos das mudanças climáticas.
Andrés Nápoli, diretor executivo da Fundação Ambiente e Recursos Naturais (Farn), alertou, em entrevista à agência de notícias EFE, que o Executivo gastou no último ano apenas 75% do orçamento destinado ao manejo do fogo e que os fundos nacionais aprovados pelo Congresso para prevenir e combater incêndios florestais foram reduzidos em 71% em 2026.
“Os legisladores que representam as províncias afetadas pelos incêndios aprovaram essas reduções por um acordo global com o governo”, destacou Nápoli.
O dinheiro liberado na quinta será destinado à “compra de equipamentos, materiais, uniformes e outros itens destinados ao combate a incêndios e à proteção civil da população, bem como à conservação e manutenção em perfeito estado e condições de uso dos mesmos”, como define o texto que autoriza a liberação dos recursos.
Fogo fora de controle
O Parque Nacional Los Alerces, uma floresta andina em Chubut com lagos de origem glacial, é o mais afetado, com 20 mil hectares incendiados, de acordo com o último balanço.
O foco desse incêndio começou com a queda de um raio em 9 de dezembro dentro dos limites do parque nacional, mas nas últimas semanas saiu de controle e se alastra pelo norte de Cholila, cidade com 2.800 habitantes cercada pelo fogo.
Bombeiros e brigadistas relatam não conseguir conter o avanço das chamas em direção às áreas residenciais vizinhas. “Estou há 15 anos no corpo de bombeiros e é a primeira vez que vejo um incêndio queimando dessa maneira. (…) Não damos conta”, disse à agência de notícias AFP Manuel, um dos bombeiros que atuam na região.
O Serviço Nacional de Manejo do Fogo decretou até esta sexta-feira o alerta vermelho de risco de incêndios na região, que continuará com altas temperaturas e ventos fortes.
O outro incêndio florestal que assola a província de Chubut abrange cerca de 22 mil hectares entre a região de Puerto Patriada e a localidade de Epuyén, ameaçando áreas residenciais.
(AFP, EFE, ots)
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