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Após bate-boca com Zelensky, Trump ordena pausa na ajuda militar dos EUA à Ucrânia
Zelensky optou por não comentar o corte, mas, recentemente, reconheceu que seria muito difícil combater a Rússia sem o auxílio norte-americano
O presidente Donald Trump ordenou uma pausa na ajuda militar dos Estados Unidos à Ucrânia. A decisão foi tomada poucos dias após a discussão que o republicano teve com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na Casa Branca.
A informação foi confirmada na noite desta segunda-feira 3 por um funcionário da Casa Branca a diferentes veículos de imprensa norte-americanos.
“Estamos fazendo uma pausa e revisando a nossa ajuda, para garantir que ela esteja contribuindo para uma solução”, disse a fonte, que também acrescentou que os EUA precisam que seus parceiros “também se comprometam a alcançar o objetivo” da paz.
Segundo a imprensa americana, a decisão foi tomada após uma reunião na Casa Branca entre os chefes da Defesa, Pete Hegseth, e da diplomacia, Marco Rubio, e os principais assessores do presidente Trump. “Não é um fim permanente da ajuda, é uma pausa”, ressaltou outro funcionário americano, citado pelo canal Fox News.
A ajuda militar dos Estados Unidos foi aprovada durante o governo de Joe Biden. Segundo o Departamento de Estado americano, o país ofereceu “US$ 65,9 bilhões em assistência militar” à Ucrânia desde 24 de fevereiro de 2022.
O anúncio desta segunda diz respeito principalmente à ajuda que havia sido aprovada anteriormente, mas ainda não havia sido desembolsada. Trump, desde que chegou à Casa Branca, não aprovou nenhum auxílio e um novo pacote vindo do Congresso parece cada vez mais improvável.
Zelenksy optou por não comentar publicamente o corte no dinheiro dos EUA. Na semana passada, porém, durante a tensa reunião com Trump, reconheceu que a Ucrânia tem poucas chances de combater a Rússia na guerra sem a ajuda militar e financeira norte-americana.
O primeiro-ministro do país, Denys Shmyhal, por sua vez, afirmou que o Exército e o governo da Ucrânia “têm as capacidades, as ferramentas, digamos, para manter a situação na linha de frente” mesmo sem a ajuda dos EUA.
O país, até segunda ordem, dependerá apenas dos seus próprios recursos e do incremento anunciado por europeus no domingo 2.
(Com informações de AFP)
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