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Após acordo, forças governamentais sírias entram em área controlada pelos curdos

O acordo foi anunciado na sexta-feira 30, após meses de tensões e combates contra as tropas de Damasco

Após acordo, forças governamentais sírias entram em área controlada pelos curdos
Após acordo, forças governamentais sírias entram em área controlada pelos curdos
Soldados da Síria na região de Qalamoun, em 1º de janeiro de 2026. Foto: Bakr Alkasem/AFP
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As forças governamentais sírias entraram nesta segunda-feira 2 em Hassaké, reduto da minoria curda, após um acordo assinado com Damasco, que integra territórios curdos ao Estado sírio. O compromisso representa um sucesso político para o presidente Ahmed al-Charaa, que considera a unidade territorial uma de suas prioridades.

O acordo foi anunciado na sexta-feira 30, após meses de tensões e combates contra as tropas de Damasco. Os curdos haviam instaurado uma área autônoma no norte e no nordeste do país durante a guerra civil que destruiu a Síria entre 2011 e 2024.

O chefe da Forças Democráticas Sírias (FDS), Mazloum Abdi, confirmou que a implementação do acordo começaria nesta segunda-feira. Abdi afirmou que uma “força de segurança interna limitada” entraria em alguns setores das duas principais cidades da zona curda, Hassaké e Qamichli, mas que “nenhuma força militar entrará em uma cidade ou localidade curda”.

As autoridades locais decretaram toque de recolher nesta segunda no centro de Hassaké, em uma zona povoada por curdos e árabes, para “garantir a segurança dos habitantes”. Outro toque de recolher deve ser instaurado em Qamichli nesta terça-feira.

O novo comandante das Forças de Segurança Interna da província de Hassaké, Marwan al-Ali, nomeado por Damasco, pediu a seus homens que “executem as missões de segurança conforme os planos estabelecidos e respeitem plenamente as leis e regulamentos”.

Na sexta-feira 30, o ministro sírio da Informação, Hamza Mustafa, declarou que o acordo previa a entrega ao governo, em um prazo de dez dias, de campos petrolíferos que eram controlados pelos curdos, além do aeroporto de Qamichli, ocupado pelas forças russas até a semana passada, e dos postos de fronteira.

As Forças Democráticas Sírias serão integradas ao Exército sírio, mas permanecerão dentro de uma divisão composta por três brigadas.O grupo dissidente esteve na linha de frente do combate aos jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) na Síria, numa campanha liderada pelos Estados Unidos, que agora apoiam o novo governo.

Forças governamentais também devem ser enviadas para o enclave curdo de Kobane, mais a oeste, na província de Aleppo. Essa cidade, que foi separada da zona autônoma curda, é símbolo da primeira vitória das forças curdas contra o EI, em 2015, e está atualmente cercada pelas tropas governamentais.

Curdos obtém avanços

Os curdos, no entanto, obtêm avanços significativos em relação a versões anteriores do texto. O acordo garante seus direitos nacionais, civis e educacionais, além do retorno de todos os deslocados às suas regiões.

Eles também obtêm o cargo de governador na província de Hassaké, e a segurança interna de seus territórios continuará a ser garantida pela polícia curda. Eles ainda terão postos de comando dentro do Exército. Já os combatentes estrangeiros deverão deixar o país em direção ao Iraque ou ao Irã. A partir desta segunda, forças do Ministério do Interior devem se deslocar para duas das três localidades curdas no norte, onde as FDS continuam entrincheiradas.

As três semanas de ofensiva do Exército sírio no nordeste permitiram a Damasco recuperar 80% do território e pôr fim ao sonho de autonomia curda na região. O presidente islamista Ahmad al-Chareh, que derrubou o governo de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, está determinado a impor sua autoridade sobre todo o território sírio.

Com o envio de suas tropas para a zona curda, resta apenas a região drusa de Soueida, no sul, fora de seu controle. Desde que chegaram ao poder, as autoridades islamistas se comprometeram a proteger as minorias, mas o país tem sido palco de massacres de alauítas na costa, em março do ano passado, e de violência contra drusos no sul, em julho.

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