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Aos olhos de Elizabeth

O exercício do poder brando da rainha que sobreviveu a 15 primeiros-ministros britânicos

Imagem: Lindsey Parnaby/AFP
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Durante sete décadas, ela testemunhou intimamente mudanças de poder em todo o mundo. Ao chegar ao trono na era distante da Rússia de Stalin, Elizabeth II reinou através de guerras frias e quentes e através de mudanças econômicas abrangentes. Ela presidiu a retirada da Grã-Bretanha do império e seu surgimento como potência moderna em rede, mas também sua luta para forjar uma identidade pós-Brexit e o início de um doloroso acerto de contas com o colonialismo. Com ela vai-se uma memória institucional única, um reservatório de percepções compartilhadas com 15 primeiros-ministros.

A relação entre o monarca constitucional e o político eleito é estranha, em parte deferência e protocolo, em parte uma curiosa intimidade. Tony Blair disse que ela era a única pessoa com quem ele falava livremente, sabendo que não vazaria, e a própria rainha uma vez descreveu sua função como “uma espécie de esponja” que absorvia confidências. Mas também, acrescentou, ocasionalmente envolvia oferecer aos governos um ponto de vista diferente: “Talvez eles não tivessem visto por esse ângulo”. Ela foi uma amante do poder brando e sabia quando projetar a plena majestade régia e quando bancar a avó gentil, e um recurso diplomático único. Às vezes, conseguia defender a posição da Grã-Bretanha perante um chefe de Estado estrangeiro melhor do que qualquer político eleito. (Compare o relacionamento espetado de ­Emmanuel ­Macron com a primeira-ministra Liz Truss e o calor genuíno do tributo do presidente francês à rainha.) Nunca partidária, ela era, no entanto, essencial para o corpo político, e seus relacionamentos com sucessivos primeiros-ministros servem para contar uma história do que a Grã-Bretanha se tornou.

Ela reinou por guerras frias e quentes e testemunhou a decadência do império

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