Alvos de perseguição política, médicos cubanos saem da Bolívia

Ministra da presidente autoproclamada Jeanine Áñez anunciou retirada de profissionais; governo cubano relata violência

Jeanine Añez, presidente interina da Bolívia. Foto: Aizar Raldes/AFP

Jeanine Añez, presidente interina da Bolívia. Foto: Aizar Raldes/AFP

Mundo

A nova ministra das Relações Exteriores da Bolívia, Karen Longaric, anunciou, na sexta-feira 15, a saída de centenas de médicos cubanos que trabalhavam no país. Ela compõe o novo governo da presidente autoproclamada Jeanine Áñez.

A declaração ocorre dias após Evo Morales renunciar à presidência do país, em 10 de novembro, uma decisão que ele atribui à deflagração de golpe.

Estima-se que 725 “funcionários de cooperação” sejam repatriados por Cuba. O presidente da ilha caribenha, Miguel Diaz-Canel, afirma que os membros da brigada médica são alvos de assédio.

“Cuba denuncia assédio e abuso com nossos médicos na Bolívia. Em nome de nenhuma ideologia política, o ódio pode prejudicar aqueles que se dedicaram a dar vida e saúde aos humildes”, escreveu Diaz-Canel, em sua rede social.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores de Cuba afirma que os colaboradores cubanos estão sendo acusados de incentivarem os protestos favoráveis a Evo Morales na Bolívia. O órgão diz ter detectado “contas de procedência duvidosa e perfis falsos” que incitam violência contra os profissionais.

A pasta também afirma que, em 13 de novembro, quatro membros da brigada médica na cidade de El Alto foram detidos pela polícia por fazerem uso de um valor em dinheiro retirado de um banco para pagar serviços básicos e aluguel de 107 membros da brigada cubana.

“A detenção se deu por uma presunção caluniosa de que o dinheiro se dedicava a financiar protestos. Os representantes da polícia e do Ministério Público visitaram as sedes da brigada médica em El Alto e La Paz e corroboraram, a partir de documentos e dados bancários, que a cifra de dinheiro coincidia com a quantidade extraída regularmente todos os meses”, escreve o governo.

Os médicos presos foram identificados como Amparo Lourdes García Buchaca, em missão na Bolívia desde março deste ano; Idalberto Delgado Baró, também no país desde março; Ramón Emilio Álvarez Cepero, no país desde julho de 2017; e Alexander Torres Enríquez, que cumpre a tarefa desde fevereiro.

O governo cubano pediu também que as autoridades bolivianas detenham a “exacerbação de irresponsáveis expressões anticubanas e de ódio”. Segundo o veículo Prensa Latina, os primeiros 200 médicos de Cuba que prestavam serviços na Bolívia já embarcaram em retirada.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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