Mundo

Alto funcionário da Defesa dos EUA visita Guiana em meio a disputa com Venezuela

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou o vizinho de agir “sob as ordens dos gringos”

Vista aérea do rio Esequibo correndo em um trecho da floresta amazônica na região de Potaro-Siparuni, na Guiana. Foto: Patrick Fort/AFP
Apoie Siga-nos no

Um alto funcionário do Departamento de Defesa dos Estados Unidos iniciou nesta segunda-feira 8 uma visita à Guiana, um aliado na região, em meio a uma disputa com a Venezuela pelo território de Essequibo.

O subsecretário adjunto de Defesa para o Hemisfério Ocidental, Daniel Erikson, chegou a Georgetown para reuniões com representantes do governo da Guiana, das Forças de Defesa (GDF) desse país e representantes da Comunidade do Caribe (Caricom).

“Sua visita à Guiana destaca a importância que os Estados Unidos atribuem à parceria bilateral de defesa e segurança (…) em apoio à estabilidade regional”, afirmou um comunicado da embaixada dos Estados Unidos em Georgetown.

“Isso ressalta a importância da parceria bilateral de defesa e segurança à medida que as GDF continuam a crescer a curto prazo, com compromissos sólidos entre militares, e a longo prazo com a modernização de suas instituições de defesa”, acrescentou.

Sem mencionar especificamente a visita de Erikson à Guiana, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou o vizinho de agir “sob as ordens dos gringos”.

“É chamada de República Cooperativa de Guiana. Nem república, nem cooperativa, ela age como a velha Guiana Britânica, agora colônia britânica sob as ordens dos gringos, que vão lá e fazem o que querem como se estivessem em casa. Não se metam com a Venezuela”, declarou Maduro.

As autoridades guianenses ainda não se pronunciaram sobre a chegada do funcionário americano, que ocorre um mês após os exercícios militares realizados pelos Estados Unidos no país caribenho, em meio à tensão pela disputa centenária com a Venezuela pelo território de 160 mil km² rico em petróleo e minerais.

Os exercícios dos Estados Unidos realizados há um mês foram considerados uma “provocação” pela Venezuela, despertando o temor de um conflito armado na região.

Ambos os países se comprometeram a não escalar as hostilidades, embora a chegada de um navio de guerra britânico há 11 dias, também para atividades de defesa, tenha aumentado a situação com a mobilização de mais de 5.600 tropas venezuelanas para manobras militares perto das águas em disputa.

A disputa territorial entre os dois países, embora centenária, intensificou-se após a descoberta de grandes reservas de petróleo em 2015 e, posteriormente, no último trimestre do ano passado, com a concessão de licenças de petróleo pela Guiana em águas disputadas.

A Venezuela afirma que Essequibo faz parte de seu território, como em 1777, quando era uma colônia da Espanha, e apela ao Acordo de Genebra, assinado em 1966 antes da independência da Guiana do Reino Unido, que estabelecia bases para uma solução negociada e anulava um laudo de 1899.

A Guiana defende esse laudo e deseja que ele seja ratificado pela Corte Internacional de Justiça (CIJ).

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor…

O bolsonarismo perdeu a batalha das urnas, mas não está morto.

Diante de um país tão dividido e arrasado, é preciso centrar esforços em uma reconstrução.

Seu apoio, leitor, será ainda mais fundamental.

Se você valoriza o bom jornalismo, ajude CartaCapital a seguir lutando por um novo Brasil.

Assine a edição semanal da revista;

Ou contribua, com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo