Mundo
Alemanha tem o maior contingente militar em mais de uma década
Governo empreende esforços para ampliar recrutamento em meio a tensão geopolítica na Europa. Meta é angariar mais 70 mil profissionais até 2035
Em meio aos esforços para ampliar o recrutamento militar, a Alemanha atingiu o maior contingente militar em mais de uma década. Eram 186,7 mil membros das Forças Armadas (Bundeswehr) no fim de julho, segundo novos dados do Ministério da Defesa, o que coloca o número de integrantes dentro da meta estipulada pelo governo para este ano.
O ministério prevê novos aumentos ainda neste ano, esperando chegar a até 190 mil militares. Até 2035, a Alemanha pretende recrutar cerca de 70 mil profissionais adicionais. Há ainda cerca de outros 200 mil reservistas.
Em comparação com julho do passado, houve um acréscimo de cerca de 3,7 mil militares, o equivalente a aproximadamente 2% do efetivo total. Trata-se do maior contingente em 13 anos, desde pouco depois da extinção, em 2011, do antigo período obrigatório de serviço nacional para grande parte dos jovens do sexo masculino. O número de candidaturas também aumentou em 26%, chegando a 47,3 mil inscrições.
Além disso, atualmente, cerca de 12.100 pessoas prestam serviço militar voluntário ou atuam como militares temporários de curto prazo no âmbito do novo modelo de serviço militar. Isso representa um aumento de aproximadamente 6% em relação ao ano anterior.
Obrigatoriedade em discussão
Também acelerando compras militares e elevando os gastos com defesa, a Alemanha tem por objetivo cumprir com as novas metas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), atender às demandas do governo de Donald Trump nos Estados Unidos e responder a percebidas ameaças, incluindo da Rússia.
Alguns especialistas e autoridades, entre eles o ministro da Defesa, Boris Pistorius, manifestam preocupação sobre a viabilidade de alcançar as metas de aumento do contingente militar sem a reintrodução de alguma forma de serviço militar obrigatório.
Em janeiro, começou a valer uma nova lei que impôs uma forma de alistamento obrigatório, para incentivar mais pessoas a servir, embora o serviço em si seja voluntário.
Pela nova lei, todos os homens que completarem 18 anos deverão preencher um formulário respondendo a perguntas sobre sua formação, estado de saúde e disposição para servir nas Forças Armadas.
Alistamento obrigatório, serviço não
O questionado, enviado a ambos os sexos, busca medir também o interesse e a aptidão dos participantes. Só os homens são obrigados a responder. Atualmente, responder ao questionário não implica compromisso.
Os números indicam que a obrigatoriedade da resposta tem forte impacto: entre cerca de 194 mil homens consultados, 96% responderam ao questionário. Já entre aproximadamente 184 mil mulheres e pessoas de outros gêneros, apenas 4% responderam de forma voluntária.
Segundo o ministério, ao desconsiderar os participantes que atribuíram nota zero ao seu interesse em ingressar nas Forças Armadas, a média de interesse registrada foi de 5 em uma escala de 0 a 10.
Os questionários levaram 2.630 pessoas a comparecerem para avaliações presenciais e resultaram em 865 adesões ao serviço militar ativo, com início previsto para este ano ou para 2027. O número representa um crescimento de cerca de 33% na comparação com o mês anterior.
Objeções também aumentam
A partir de meados de 2027, todos os homens que completarem 18 anos também serão obrigados a se submeter a um teste de aptidão física para determinar quem poderia ser convocado em caso de conflito.
Esta medida foi encarada como altamente controversa, gerando temor entre críticos de um possível primeiro passo rumo a um retorno do serviço obrigatório.
Ao mesmo tempo, o número de pedidos de objeção de consciência ao serviço militar na Alemanha tem aumentado acentuadamente. Foram quase 5,9 mil solicitações apresentadas apenas no primeiro semestre deste ano, segundo dados do governo.
O direito de recusar o serviço militar armado por motivos de consciência é protegido pela Constituição alemã. O registro de objeção é feito com base numa breve carta de apresentação assinada, um currículo completo em formato de tabela e uma exposição detalhada e pessoal dos motivos.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Alemanha discute proibição de óculos inteligentes da Meta
Por Deutsche Welle
‘Hino antifa’ vira hit na Alemanha após ser barrado na TV
Por Deutsche Welle
Alemanha aprova projeto nuclear com participação russa
Por Deutsche Welle


