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Agenda de Macron no Brasil terá passeio de barco em Belém e caminhada pela Paulista

É a primeira visita bilateral do francês à América Latina desde que assumiu o posto

Lula e Macron, por razões diferentes, desconfiam do acordo UE-Mercosul – Imagem: Ricardo Stuckert/PR
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Em viagem de três dias pelo Brasil, entre 26 e 28 de março, o presidente da França, Emmanuel Macron, terá uma agenda intensa e cheia de surpresas. 

A expectativa é de que a primeira visita bilateral do francês à América Latina, desde que assumiu o posto, inclua o anúncio e assinatura de pelo menos 15 dos 30 atos que estão em negociações entre os dois lados e a liberação de R$ 100 milhões em financiamento para iniciativas de desenvolvimento sustentável, a partir de protocolo de intenções a ser firmado entre o BNDES, o Banco da Amazônia e a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).

A visita tem o objetivo de revitalizar a relação, depois de um “eclipse de quatro anos, quase gelo”, como definiu o Palácio do Eliseu, em referência ao período da presidência de Jair Bolsonaro. Mas não é só isso: Macron fez reiteradas críticas ao acordo comercial Mercosul-União Europeia, que é negociado há quase um quarto de século.

A viagem inclui quatro cidades brasileiras dos estados do Pará, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Em três, Lula estará presente.

A visita começa com uma reunião entre os dois líderes a bordo de um barco no meio da Amazônia, no primeiro compromisso da extensa agenda. A ideia inicial era que o encontro fosse em um catamarã. Mas como essas embarcações costumam sacudir muito, eles devem se reunir em um ferry.

Na etapa em Belém, temas ambientais vão dominar a visita. Os presidentes, irão à Ilha do Combu, onde visitarão a produção sustentável de cacau e chocolate Dona Nena e terão encontro com lideranças indígenas para tratar de iniciativas de proteção e assistência a comunidades locais.

Macron ainda deve participar de um “lanche amazônico”, mas sem o tradicional pirarucu, pois já avisou que não come peixe de rio.

Submarinos e fórum econômico 

Do Pará, os dois seguem para Itaguaí, no estado do Rio de Janeiro, onde participam, no dia seguinte, da inauguração do terceiro submarino resultante do programa de cooperação entre os dois países, de um total de quatro.

O submarino Tonelero, de propulsão convencional, será inaugurado pela primeira-dama Janja. O eixo da defesa é considerado um dos mais importantes da visita. Entre outros temas, os presidentes devem tratar da continuidade do programa de cooperação de submarinos – um modelo a propulsão nuclear também é desenvolvido em parceria com a França.

No eixo econômico da visita, Macron participa do Fórum Econômico Brasil-França, que não é realizado desde 2019 e que contará com a presença do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento brasileiro, Geraldo Alckmin.

Macron também inaugura o novo Instituto Pasteur na capital paulista e, ao fim do dia, já avisou que quer caminhar todo o trajeto do restaurante onde participa de um jantar com celebridades do meio cultural brasileiro até o hotel onde passará a noite, pela Avenida Paulista. O francês também pretende visitar o Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Negociação de acordos

Durante a visita, considerada longa para uma bilateral, 30 atos estão sendo negociados, dos quais pelos menos 15 devem ser anunciados e assinados. Isso acontecerá em Brasília, onde Macron será recebido com honras de Estado pelo presidente Lula. O petista só não participará do trecho paulista da viagem.

Um dos principais atos é o novo plano de ação da parceira estratégica Brasil-França, chamado de “mapa do caminho”, com as diretrizes para as prioridades das cooperações entre os dois países. Mas detalhes sobre os temas ainda não foram incluídos, a exemplo da Inteligência Artificial (IA). O plano em vigor, considerado defasado, existe desde 2006.

Na pauta do encontro entre Lula e Macron em Brasília, estão a parceira estratégica entre as duas nações, a presidência brasileira do G20, a reforma das instituições internacionais multilaterais, entre elas o Conselho de Segurança da ONU, e o apoio francês à candidatura brasileira como membro permanente do organismo.

A primeira-dama Brigitte Macron não participa desta visita, mas já confirmou presença na cúpula do G20, que acontecerá no Rio de Janeiro nos dias 18 e 19 de novembro.

Acordo União Europeia-Mercosul

A pauta das conversas entre os mandatários também deve passar pelos conflitos de Israel em Gaza e da Rússia na Ucrânia. Não se descarta o tema das negociações Mercosul-UE, que, segundo a secretaria de Europa e América do Norte do Itamaraty, Maria Luísa Escorel, passam por período de pausa em função da eleição do parlamento europeu.

“Houve pausa na negociação, não é que tenha sido suspensa, até porque tem eleição no parlamento europeu”, disse em entrevista à jornalistas. Segundo ela, os técnicos de todos os lados seguem se falando e a maioria dos países-membros da UE, é favorável ao acordo.

“Essa negociação é Mercosul e UE e não com países da UE individualmente. Os 27 membros deram mandato à Comissão Europeia, que é quem fala por todos. A maioria dos países é favorável ao acordo”, afirmou.

No último dia da viagem, Macron ainda será recebido pelos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco.

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