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Acusado de charlatanismo, ‘Dr. Cloroquina’ é alvo de sanção na França

O médico diz ter atendido “mais de 600 mil pessoas” e que, até agora, ninguém reclamou

Didier Raoult, o 'Dr. Cloroquina'. Foto: AFP
Didier Raoult, o 'Dr. Cloroquina'. Foto: AFP

O médico e professor francês Didier Raoult, que ficou mundialmente conhecido como ‘Dr. Cloroquina’, foi alvo de uma sanção disciplinar da Ordem de Medicina. A instituição, que ameaçou banir o profissional, considera que ele infringiu o Código de Ética Médica ao promover o uso da hidroxicloroquina no tratamento contra a Covid-19, apesar de a eficácia do medicamento contra o coronavírus nunca ter sido provada.

O professor de 69 anos, que também dirige o Hospital Universitário (IHU) de Marselha, no sul da França, vinha sendo alvo de várias queixas de seus pares nos órgãos de controle da profissão, como a Ordem de Medicina e o Conselho Nacional da Ordem dos Médicos. Ele era acusado de ter promovido o uso da cloroquina para combater a Covid, “sem ter dados científicos” que provassem a utilidade do tratamento.

As declarações do médico influenciaram a política de luta contra o vírus em vários países no início da pandemia. No entanto, diversos estudos mostraram mais tarde que o uso da hidroxicloroquina não era adequado para combater o vírus, e poderia representar um risco para os pacientes.

Segundo o relatório apresentado pelo conselho de disciplina da Ordem de Medicina, a promoção da cloroquina feita por Raoult se assemelha a “charlatanismo”. O órgão afirma que o médico teria corrido “riscos imprudentes” ao prescrever um tratamento que “não foi validado pela ciência”.

Sanção branda

A decisão da Ordem de Medicina representa uma sanção disciplinar, mas os críticos de Raoult esperavam uma medida mais forte, já que essa é a punição mais branda possível, acima apenas de uma simples advertência. Na ordem, as medidas mais severas poderiam ter sido a proibição temporária de exercer a profissão ou a exclusão total, que colocaria um ponto final em sua carreira. Esse era o pedido feito na queixa inicial.

O advogado da Ordem de Medicina, Philippe Carlini, explicou que a decisão é coerente, já que Raoult já não exerce mais parte de suas atividades, pois se aposentou oficialmente em agosto. No entanto, mesmo se não atua mais como professor, o ‘Dr. Cloroquina’ ainda pode atender pacientes.

Didier Raoult não quis reagir à decisão da Ordem. Mas, desde que o processo começou, ele afirma que não precisa se defender, pois seus pacientes nunca reclamaram dos tratamentos que prescreveu. O médico diz ter atendido “mais de 600 mil pessoas” e que, até agora, ninguém reclamou.

Mesmo assim, ele vem sendo retirado aos poucos de seus cargos de responsabilidade. O Hospital Universitário (IHU) de Marselha informou na semana passada que já começou o processo seletivo para escolher um novo diretor, que substituiria em breve o ‘Dr. Cloroquina’.

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