Mundo
A nova derrota da Igreja Universal no STF em caso sobre imunidade tributária
A maioria da Corte negou um recurso em processo que opõe a IURD à prefeitura de Caruaru (PE)
O Supremo Tribunal Federal formou maioria, nesta quinta-feira 12, para negar um recurso da Igreja Universal do Reino de Deus contra uma decisão do presidente da Corte, Edson Fachin, que manteve o entendimento do Tribunal de Justiça de Pernambuco e afastou a imunidade tributária sobre imóveis em Caruaru.
Votaram por confirmar a ordem monocrática Fachin, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, André Mendonça e Flávio Dino. Os quatro ministros restantes podem publicar seus votos no plenário virtual até esta sexta-feira 13.
Mudar o entendimento do TJ-PE, escreveu Fachin em seu voto, exigiria um procedimento incabível no âmbito de um recurso extraordinário. “Mantenho a decisão agravada por seus próprios fundamentos e voto para que seja negado provimento ao presente agravo regimental.”
Ao avaliar um recurso anterior sobre o caso, o TJ-PE concluiu que os imóveis estão abandonados desde 2019, sem qualquer utilização para fins religiosos, o que demonstra a falta dos requisitos para se livrar da cobrança de IPTU.
A disputa opõe a IURD à prefeitura de Caruaru, que, segundo o tribunal local, comprovou o abandono dos imóveis. Dentre as provas estão relatórios de fiscalização municipal, fotografias e a ausência de qualquer atividade religiosa desde 2019.
Para o TJ, portanto, é evidente que os imóveis não cumprem a função à qual se destina a imunidade tributária.
Ao acionar o STF, a IURD alegou violação ao princípio de liberdade de crença e ao dispositivo que proíbe instituir impostos sobre entidades religiosas e templos.
Em nota após Fachin assinar sua decisão, em 20 de janeiro, a Igreja Universal afirmou que recorreria, “evocando a jurisprudência favorável à concessão de imunidade tributária ao patrimônio de instituições religiosas, independentemente da vinculação à sua atividade fim”.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Quaest e Datafolha registram piora na percepção dos brasileiros sobre o STF
Por Vinícius Nunes
STF decidirá em sessão presencial se a Lei de Anistia vale para casos de desaparecimento na ditadura
Por CartaCapital
O impacto do caso Master sobre a imagem do STF, segundo a pesquisa Meio/Ideia
Por Vinícius Nunes


