Economia
A nova crítica da China ao anúncio de Trump sobre o petróleo da Venezuela
Segundo o republicano, Caracas ‘entregará’ até 50 milhões de barris a Washington
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China Mao Ning condenou, nesta quarta-feira 7, o anúncio dos Estados Unidos de que a Venezuela “entregará” até 50 milhões de barris de petróleo, três dias após o sequestro do presidente Nicolás Maduro pelo governo norte-americano.
O movimento interessa de perto a Pequim, destino de aproximadamente 80% do petróleo venezuelano. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que controlará o dinheiro envolvido no envio dos barris a portos norte-americanos.
“A solicitação dos EUA viola o direito internacional, infringe a soberania da Venezuela e mina os direitos do povo venezuelano”, reagiu Ning. “A cooperação entre a China e a Venezuela é entre dois Estados soberanos e está sob a proteção do direito internacional. Os direitos e os interesses legítimos da China na Venezuela devem ser protegidos.”
Segundo a porta-voz, a China se opõe à “interferência de forças externas nos assuntos internos da Venezuela sob qualquer pretexto”.
“A ação dos EUA de prender à força o presidente Maduro e sua esposa viola claramente o direito internacional, as normas básicas das relações internacionais, e os propósitos e os princípios da Carta da ONU. A China reitera seu apelo para que os EUA libertem imediatamente o presidente Maduro e sua esposa e resolvam as questões por meio do diálogo e da negociação.”
A Venezuela, cujo petróleo está sujeito a sanções dos EUA, tem aproximadamente um quinto das reservas mundiais — cerca de 303 bilhões de barris, principalmente petróleo bruto pesado e extrapesado.
O anúncio de Trump contribuiu para a redução dos preços mundiais. Após uma queda de 2% na terça-feira, o petróleo bruto continuou sua tendência de baixa nesta quarta nos mercados asiáticos, com recuo de cerca de 1%.
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