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A imensa fortuna da Rainha Elizabeth II

A monarca seguiu um estilo de vida conforme a realeza, custeado pelo contribuinte, mas também faturava com negócios privados

Elizabeth II e Charles, em 2017. Foto:Elizabeth II e Charles, em 2017. Foto: Carl Court/Pool/AFP
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A Rainha Elizabeth II, que morreu nesta quinta-feira 8, aos 96 anos, acumulou uma fortuna pessoal estimada em 370 milhões de libras (425 milhões de dólares), segundo uma estimativa publicada neste ano pelo Sunday Times.

A monarca britânica seguiu um estilo de vida conforme a realeza, custeado pelo contribuinte, mas ela e sua família também faturavam com negócios privados, cujos detalhes são desconhecidos.

Gastos oficiais

Uma verba anual do governo, denominada Sovereign Grant, é encarregada de cobrir os gastos oficiais da Rainha e de outros membros da Casa Real.

Durante o ano fiscal de 2020-2021, a verba chegou a 86 milhões de libras, dos quais 34,4 milhões foram usados para restaurações em curso e manutenção do Palácio de Buckingham, em Londres.

A Sovereign Grant equivale a 15% dos lucros obtidos pelo Crown Estate, uma enorme carteira financeira a incluir terras, imóveis e outros tipos de ativos que pertencem à monarca, mas são administrados de forma independente.

A renda líquida do Crown Estate é repassada ao Tesouro britânico, segundo um acordo selado em 1760.

No último exercício, a Sovereign Grant foi elevada provisoriamente para cobrir as despesas com os trabalhos de restauração em Buckingham. Ela também é usada para pagar as centenas de funcionários que trabalham para a Casa Real.

Renda privada

Privy Purse é como se denomina a renda privada da monarca, que provém sobretudo do sítio no ducado de Lancaster, de propriedade da Casa Real desde a Idade Média.

Os ativos são constituídos de terras, investimentos financeiros e propriedades, em um montante de mais de 500 milhões de de libras.

O Privy Estate é composto por 315 residências, estabelecimentos comerciais no centro de Londres e milhares de hectares de terras agrícolas.

Sua receita líquida no exercício de 2020-2021 foi de mais de 20 milhões de libras. A Rainha cedeu parte do montante à sua família e pagou impostos sobre o dinheiro não usado em tarefas oficiais.

“A Rainha usa esse dinheiro para pagar suas despesas e pessoas para manter as residências de Balmoral e Sandringham, algo muito custoso”, destacou David McClure, autor de um livro sobre as finanças da rainha, intitulado The Queen’s True Worth.

As duas residências são propriedades privadas de Elizabeth II.

“Ela também usa parte desse dinheiro para subvencionar outros membros da família real que não receberam dinheiro público ou da Sovereign Grant, acrescentou McClure à AFP.

Entre os destinatários dos subsídios estão sua filha, a princesa Anne, seu filho caçula, o príncipe Edward, e a esposa dele, Sophie, condessa de Wessex.

Propriedade privada

Apesar de a maioria dos palácios reais pertencerem ao Crown Estate, a Rainha tinha duas residências privadas: o castelo de Balmoral, no norte da Escócia, com valor estimado em 100 milhões de libras esterlinas, e a casa de campo em Sandringham, avaliada em cerca de 50 milhões de libras. As propriedades não são mantidas com recursos públicos.

A Rainha também contava com alguns objetos da Coleção Real a título pessoal, a incluir uma coleção de selos que pertenceu a seu avó, o rei George V, estimada em 100 milhões de libras esterlinas.

A grande paixão da monarca pelos cavalos de corrida também a fez ganhar mais de 7 milhões de libras em prêmios, segundo cálculos do myracing.com, embora a cifra exclua a custosa manutenção dos animais.

As joias da Coroa, avaliadas em cerca de 3 bilhões de libras, pertencem à Rainha de forma simbólica, mas são transferidas automaticamente ao sucessor.

Sonegação fiscal

A Rainha esteve implicada nos Paradise Papers, documentos secretos que vazaram em 2017 sobre os bens dos ricos e poderosos fora de seus países.

O material foi difundido pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, com sede nos Estados Unidos.

Os documentos revelaram que Elizabeth II, através do ducado de Lancaster, depositou 10 milhões de libras nas Ilhas Cayman e nas Bermudas, territórios britânicos ultramarinos, considerados paraísos fiscais.

Não tão rica?

Apesar de sua fortuna, a Rainha ficou de fora da lista das 250 pessoas mais ricas do Reino Unido elaborada pelo Sunday Times, encabeçada pelo empresário bilionário Leonard Blavatnik, com um patrimônio líquido de 23 bilhões de libras.

Sua fortuna fica “pequena” quando comparada às de outras monarquias: a da família real tailandesa é estimada entre 50 e 70 bilhões de dólares, enquanto o patrimônio do rei saudita Salman chega a 18 bilhões de dólares.

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