CartaCapital
TJRJ ignora CNJ e suspende reavaliação de soltura de grupo de risco
Apesar de recomendação para reavaliar prisão provisória de presos e gestantes lactantes, presidente do TJRJ afirma que juízes já fazem isso
Nessa segunda feira, 23, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Claudio de Mello Tavares, deferiu o pedido do Ministério Público do Estado e derrubou a decisão do desembargador Alcides da Fonseca Neto, o qual havia concedido a ordem no Habeas Corpus coletivo movido pela Defensoria Pública do Estado para que todos os juízes procedessem em 10 dias a reavaliação de prisões preventivas e temporárias impostas a pessoas idosas ou em grupo de risco do Covid-19.
A decisão do desembargador Alcides Neto estava amparada na Recomendação nº 62/2020 do Conselho Nacional de Justiça, emitida após a crise do Covid-19. No documento o Conselho, no art. 3º, recomendou “aos magistrados com competência para a execução de medidas socioeducativas a adoção de providências com vistas à redução dos riscos epidemiológicos e em observância ao contexto local de disseminação do vírus”.
A medida do CNJ é voltada especialmente para idosos, adolescentes gestantes, lactantes, mães ou responsáveis por criança de até 12 anos de idade, em que pese a decisão cassada pela presidência ser focada em pessoas idosas.
Leia a Recomendação nº 62/2020 do CNJ na íntegra
Contudo, o presidente do Tribunal classificou a recomendação do CNJ de “quase redundante”, uma vez que os juízes e juízas do Rio de Janeiro já realizariam tais reavaliações nos casos de prisão. Argumentou também que a medida colocaria juízes e juízas em risco, pois seria necessária o deslocamento ao fórum para decidir nos processos físicos.
Para o defensor público no Rio de Janeiro e colunista na seção de Justiça da CartaCapital, Eduardo Newton, “a decisão leva em consideração uma realidade ideal. Porém, o platonismo judicial despreza os cárceres sujos e lotados. O TJRJ mostrou sua imprescindível participação, caso sobrevenha uma contaminação em massa dos presos. Há de se lamentar!”
Cabe recurso da decisão aos Tribunais Superiores em Brasília.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.



