CartaExpressa
STM declara major condenado por homicídio como ‘indigno’ e determina perda de patente
O militar foi condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato de uma mulher com quem mantinha um relacionamento
Por unanimidade, o Superior Tribunal Militar decidiu tornar “indigno” para o oficialato um major do Exército condenado definitivamente pela Justiça comum a 13 anos de reclusão pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Com isso, o militar perderá seu posto e a patente.
O julgamento ocorreu em Representação para Declaração de Indignidade ou Incompatibilidade para com o Oficialato proposta pela Procuradoria-Geral da Justiça Militar (PGJM).
O major havia sido condenado pela Justiça do Amazonas pelo assassinato de uma mulher, com quem mantinha um relacionamento, em janeiro de 2012, em São Gabriel da Cachoeira. De acordo com o Ministério Público Militar, o homicídio foi premeditado.
A representação enviada ao STM relata que, no dia de sua morte, a vítima foi a um salão de beleza, onde mostrou os presentes que havia comprado para o aniversário do oficial.
Na ocasião, contou a uma testemunha que o casal havia reatado o relacionamento, e revelou que o major alternava momentos de carinho com comportamentos violentos, exigindo que o reencontro permanecesse em segredo. Ela acreditava que passaria a noite comemorando o aniversário do oficial, mas foi atraída para uma emboscada.
Depois do crime, o militar ainda tentou eliminar todos os vestígios do crime, buscando construir um álibi para ocultar que havia se encontrado com a vitima após a última ligação telefônica registrada às 22h05, na noite do crime.
As investigações apontaram ainda que o militar utilizou a estrutura do Exército para tentar ocultar provas ao determinar que um subordinado descartasse um saco contendo embalagens dos presentes comprados pela vítima.
Ao analisar o caso, o STM concluiu que a condenação definitiva a 13 anos de prisão, aliada à gravidade dos fatos praticados, tornou o militar incompatível com a permanência no oficialato. O tribunal ainda deliberou que, após o trânsito em julgado da decisão, o Tribunal Superior Eleitoral será comunicado para reconhecer a inelegibilidade do militar.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Leia também
STM nega pedido de Bolsonaro para afastar ministro de julgamento sobre patente
Por Maiara Marinho
STM condena aluno de centro do Exército que chamou colega de ‘macaco’
Por CartaCapital



