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Silêncio e ruído sobre o caso Master no Supremo
Ministros admitem, em privado, que os episódios ‘incomodaram’ e expuseram a Corte a um desgaste considerado desnecessário
O caso do Banco Master virou, no Supremo, assunto de corredor. Desde dezembro, ministros evitam comentários públicos sobre as controvérsias que envolveram Alexandre de Moraes e Dias Toffoli na condução de episódios ligados à investigação de uma suposta fraude na venda de uma generosa fatia do banco ao Banco de Brasília, rejeitada pelo Banco Central.
Moraes foi o primeiro a entrar no foco. A colunista Malu Gaspar, em O Globo, noticiou que o ministro teria se reunido com o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, para pressionar em favor da operação. Moraes e o BC reagiram com notas oficiais. O episódio foi dado por encerrado — ao menos formalmente.
Nos bastidores do STF, o clima foi outro. Ministros evitaram tratar do assunto, mas, segundo interlocutores, o presidente da Corte, Edson Fachin, acompanhou de perto cada nova publicação sobre o caso, informado em tempo real.
Dias depois, foi a vez de Toffoli. O ministro marcou uma acareação sobre a liquidação do banco antes mesmo de interrogar os investigados e surpreendeu ao convocar o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos. Diante das críticas, recuou: transferiu à Polícia Federal a condução das oitivas e a decisão sobre a própria acareação. Aliados do ministro afirmam que o roteiro já constava dos autos.
O vaivém não passou incólume dentro do Supremo. Ainda que ninguém tenha se manifestado publicamente, ministros admitem, em privado, que os episódios “incomodaram” e expuseram a Corte a um desgaste considerado desnecessário.
O mal-estar reacendeu também outra discussão sensível: a criação de um Código de Conduta para ministros do STF. Fachin é o principal defensor da proposta e pretende concluir os trabalhos até o fim do ano. Ex-ministros apoiam. Convencer os atuais colegas de toga, porém, tende a ser a parte mais difícil.
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