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Por que Dino considera que 3 réus têm papel menos importante na trama golpista

O ministro destacou diferenças de participação entre os réus no planejamento golpista e reforçou o papel central de Bolsonaro e Braga Netto

Por que Dino considera que 3 réus têm papel menos importante na trama golpista
Por que Dino considera que 3 réus têm papel menos importante na trama golpista
O ministro do STF Flávio Dino em 9 de setembro de 2025, no julgamento da trama golpista. Foto: Evaristo Sá/AFP
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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta terça-feira 9 haver diferentes graus de responsabilidade entre os réus do núcleo crucial da trama golpista.

Segundo ele, Jair Bolsonaro (PL) e Walter Braga Netto (PL) exerceram papel de liderança e tiveram “culpabilidade bastante alta” na organização criminosa, enquanto figuras como Augusto Heleno, Alexandre Ramagem e Paulo Sérgio Nogueira registraram uma participação de menor importância.

Dino descreveu Bolsonaro como a “figura dominante” da articulação, ressaltando suas ameaças a ministros do STF e o conhecimento da minuta do golpe e do plano “Punhal Verde e Amarelo”, além da tentativa de usar a máquina pública para atacar a democracia. Braga Netto, segundo o ministro, coordenava os “kids pretos”, mantinha interlocução com acampamentos golpistas e dividia com o ex-presidente a condução da “arquitetura golpista”.

Em relação a Anderson Torres, Mauro Cid e Almir Garnier, Dino também considerou haver culpabilidade elevada. Ele lembrou que Torres esteve na reunião ministerial de julho de 2022 e coordenou operações da PRF para dificultar a votação de eleitores de Lula (PT) no segundo turno, enquanto Cid prestou colaboração decisiva com sua delação. Garnier, por sua vez, colocou as tropas da Marinha à disposição do golpe, configurando atos executórios, sustentou o magistrado.

Por outro lado, Dino destacou a “desimportância relativa” de Paulo Sérgio, Heleno e Ramagem. Afirmou não ter localizado atos concretos de Heleno e Ramagem após as eleições de 2022, apontando que Heleno sequer participou das reuniões com o ministro da Defesa e os comandantes militares em que se discutiu o golpe. Quanto a Paulo Sérgio, disse haver provas de que tentou dissuadir Bolsonaro, mas apenas porque os demais comandantes não embarcaram no golpe. “Os níveis de culpabilidade são diferentes, e isso precisa ser registrado”, completou.

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