Pastor de extrema-direita é investigado por declarações homofóbicas, racistas e machistas

Tupirani da Hora Lores, do Rio de Janeiro, já havia sido preso por intolerância religiosa

O pastor Tupirani da Hora Lores. Foto: Reprodução

O pastor Tupirani da Hora Lores. Foto: Reprodução

Diversidade,Justiça,Sociedade

O pastor Tupirani da Hora Lores, da Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo, tornou-se alvo de investigação após proferir declarações homofóbicas, racistas e machistas em um culto evangélico. Em nota nesta segunda-feira 23, a Polícia Civil do Rio de Janeiro declarou que um inquérito está em andamento na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.

 

 

Em vídeo que circula nas redes sociais, Hora Lores dispara uma série de ofensas contra a pastora evangélica Karla Cordeiro e diz que a igreja da qual ela faz parte “é de prostitutas”.

“Você é uma prostituta, o teu pastor deve ser um veado, a tua igreja toda é uma igreja de prostitutas”, disse. “Vocês não são evangélicos. Malditos sejam vocês, que a garganta de vocês apodreça por ter ousado tocar no nome de Jesus.”

Na sequência, o pastor zombou de possíveis ações policiais contra as suas declarações e usou expressões pejorativas sobre negros e homossexuais.

“A igreja de Jesus Cristo não levanta placa de filho da puta de negro nenhum”, afirmou. “Não levanta placa de filho da puta de político, e não levanta placa de filho da puta de veado.”

A fala foi repudiada nas redes sociais, inclusive por evangélicos. No Twitter, o pastor Alexandre Gonçalves disse que Hora Lores faz parte de uma “seita bolsonarista” e chamou a declaração de “pura podridão”.

 

Hora Lores já havia sido preso, em junho de 2009, por intolerância religiosa. Segundo a denúncia, o pastor pregava o fim das Igrejas Assembleia de Deus e incitava discriminação de seguidores de outras religiões, como judeus e pais-de-santo. A Igreja Geração Jesus Cristo é conhecida por defender a imposição da Bíblia e a rejeição à Constituição.

CartaCapital não conseguiu contato com Hora Lores e com a Igreja Geração Jesus Cristo.

 

Pastora ofendida também foi denunciada

As ofensas de Hora Lores foram proferidas contra Karla Cordeiro após a pastora pedir desculpas por declarações preconceituosas. Para o pastor, ela não deveria ter se retratado.

Karla Cordeiro, da Igreja Sara Nossa Terra, foi denunciada neste mês pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por dizer que “é um absurdo pessoas cristãs levantando bandeiras políticas, de pessoas pretas, de LGBTQIA+”. Ela acrescentou: “Para de querer ficar postando coisa de gente preta, de gay, para”.

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