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Em São Paulo, Mendonça saúda Messias e diz que bom magistrado precisa ser ‘prudente e íntegro’
Sem mencionar episódios em curso, o ministro fez declarações sobre a zona cinzenta que envolve a atuação de juízes
O ministro André Mendonça ocupa uma posição-chave em um dos momentos mais delicados do Supremo Tribunal Federal. É ele o relator das ações sobre a suposta fraude envolvendo o Banco Master e o INSS, ele conduz processos que expõem tensões internas e colocam sob os holofotes a relação entre magistrados e agentes privados.
No caso do banco, colegas como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques tem sido chamuscados por indícios de proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, o que ampliou o desgaste e alimentou questionamentos sobre conflito de interesses dentro da Corte.
Foi sobre este pano de fundo que Mendonça discursou, na segunda-feira 6, durante homenagem na Assembleia Legislativa de São Paulo. Ao defender prudência, integridade e imparcialidade como atributos do “bom magistrado”, o ministro ecoou, ainda que sem citar casos concretos, a crise de credibilidade que atinge o tribunal.
“O magistrado precisa ter um grau de contenção a mais, um grau de prudência maior, o bom magistrado precisa ser prudente e íntegro”, disse o ministro. “Às vezes nós estamos próximos às pessoas e temos relações com as pessoas, mas simplesmente por uma presença num determinado momento em comum, com uma determinada pessoa, isso pode gerar uma incompreensão na sociedade.”
Também esteve presente no evento o atual advogado-geral da União, Jorge Messias. A ele, Mendonça direcionou votos de sorte para enfrentar a sabatina no Senado Federal que poderá abrir caminhos para uma vaga no Supremo para Messias. “Eu faço votos que em breve você possa deixar a AGU por um bom motivo de estar comigo no STF”, disse.
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