Internacional

Síria

EUA agem discretamente para acelerar queda de Assad

por AFP — publicado 23/07/2012 10h21, última modificação 06/06/2015 18h25
Segundo o jornal The Wall Street Journal, o governo americano tentou fechar o espaço aéreo do Iraque para impedir a passagem de armas e petróleo do Irã para a Síria
Síria

Combatentes do Exército Sírio Livre em Bab al-Salam, na fronteira com a Turquia. Foto: ©AFP / Adem Altan

WASHINGTON (AFP) - O governo americano tentou bloquear, discretamente, a passagem de armas e petróleo do Irã para a Síria com o objetivo de acelerar a queda do presidente Bashar al-Assad, informou o jornal The Wall Street Journal na noite de domingo 22. Enquanto isso, a União Europeia (UE) decidiu nesta segunda-feira 23 reforçar suas sanções contra o poder na Síria e o controle do embargo à venda de armas, anunciou à AFP uma fonte diplomática.

Citando funcionários americanos sob anonimato, o The Wall Street Journal informou que os esforços dos Estados Unidos pretendem que o Iraque feche seu espaço aéreo para voos entre Irã e Síria. Segundo os serviços de inteligência americanos, o espaço aéreo iraquiano servem para transportar armas destinadas às forças do regime de Assad.

Segundo o jornal, Washington também entrou em contato com autoridades do Egito para tentar deter barcos suspeitos de transportar armas e combustível até a Síria através do Canal de Suez. Além disso, teria revelado informações secretas sobre a Síria aos militares de Turquia e Jordânia, para beneficiar os rebeldes sírios.

União Europeia
Uma reunião de ministros das Relações Exteriores da União Europeia, em Bruxelas, alcançou um acordo para acrescentar 26 pessoas e três novas entidades à lista negra da UE e para fortalecer o embargo sobre as armas mediante controles reforçados, disse uma fonte a AFP.

O acordo ainda deve ser oficialmente ratificado pelos ministros.

"Vamos proibir a companhia aérea síria de aterrissar na Europa e vamos inscrever outras pessoas na lista de sanções", indicou o ministro das Relações Exteriores de Luxemburgo, Jean Asselborn.

"O que ocorre na Síria é terrível", afirmou a representante da diplomacia da UE, Catherine Ashton. "A UE deve continuar com suas sanções, que são uma parte importante da pressão", explicou.

Jean Asselborn, por sua vez, declarou-se contrário a entregar armas à oposição. "Sou contra isto, já que vai prolongar o conflito", declarou. "Uma intervenção militar (estrangeira) não é possível porque daria vantagem a Bashar al-Assad, que pode atacar, mas espero que isto não dure muito tempo", prosseguiu o chefe da diplomacia de Luxemburgo.

Nos últimos dias, as forças leais a Assad lançaram ofensivas em Damasco, o que fez com que os moradores da região precisassem ser deslocados. No entanto, a rebelião anunciou no domingo 22 o início da "batalha da libertação" de Aleppo, a segunda cidade da Síria, através de um vídeo publicado no site YouTube.

As fronteiras da Síria com Iraque e Turquia foram um dos alvos dos dois grupos combatentes nos últimos dias. Os rebeldes controlam Bukamal, um posto fronteiriço com o Iraque, e três com a Turquia.

Por sua vez, os Estados Unidos afirmaram no domingo que "tornarão responsável" qualquer oficial ou autoridade síria envolvida no uso ou liberação das armas químicas do país.

A preocupação aumentou entre os países ocidentais depois que foram divulgadas informações de que Assad poderia estar pronto para utilizar seu arsenal de armas químicas em uma tentativa de salvar seu regime.

Segundo o opositor Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), mais de 19 mil pessoas morreram pela violência na Síria desde o início da rebelião contra o regime, em março de 2011.

Leia mais em AFP Movel.