Homem é morto em Portland durante confronto entre ‘antirracistas’ e apoiadores de Trump

Fotos mostram vítima com um boné do 'Patriot Prayer', descrito pela imprensa local como um grupo de extrema-direita

Polícia segura Chandler Pappas, que estava com a vítima durante os protestos em Portland. Foto: Nathan Howard/AFP

Polícia segura Chandler Pappas, que estava com a vítima durante os protestos em Portland. Foto: Nathan Howard/AFP

Mundo

Uma pessoa morreu neste domingo 30 durante um tiroteio em Portland, Óregon, após confrontos entre manifestantes antirracistas e seguidores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

 

Protestos contra o racismo – algumas vezes violentos -, que se multiplicam nas cidades americanas, esquentam a campanha para as eleições presidenciais de novembro. Trump se apresenta como a opção da lei e da ordem e desqualifica a capacidade de seu adversário, o democrata Joe Biden, de combater o crime.

Segundo o boletim policial, agentes de segurança receberam alertas de tiros no sábado 29. Confrontos começaram a ocorrer depois que veículos com seguidores de Trump fizeram “uma caravana pelo centro de Portland”. Algumas pessoas chegaram a ser detidas.

Os agentes então localizaram uma vítima com um ferimento a bala no peito, que não resistiu. A polícia não confirma que a morte esteja vinculada às manifestações, mas uma investigação foi aberta para apurar o caso.

Fotos da cena mostram a vítima com um boné com o logotipo ‘Patriot Prayer‘ (Prece Patriota), descrito pela imprensa local como um grupo de extrema-direita que esteve no centro de múltiplas manifestações violentas em Portland.

 

Trump contra Portland

Portland é, há meses, epicentro de protestos do movimento ‘Black Lives Matter‘ (Vidas Negras Importam) nos EUA. Mas novos casos de violência policial teriam enfraquecido a mobilização por igualdade – considerada histórica após o assassinato do afro-americano George Floyd, em Minneapolis, pela polícia em maio.

Trump criticou a atuação do prefeito de Portland, o democrata Ted Wheeler, em sucessivos tuítes neste domingo. Para o presidente americano, Wheeler foi negligente ao não chamar a Guarda Nacional: “Poderia resolver esses problemas em menos de uma hora”.

Na sexta-feira, Wheeler havia compartilhado uma carta aberta a Trump, na qual denunciou sua “política de divisão e demagogia”: “Sabemos que chegou à conclusão de que as imagens de violência ou vandalismo são seu único bilhete para a reeleição”.

Biden também condenou o discurso do republicano: “Ele (Trump) está incentivando a violência de forma irresponsável”. O ex-vice-presidente afirmou ainda: “Talvez ele acredite que tuitar sobre a lei e a ordem o torne forte, mas sua incapacidade de chamar seus seguidores a deixarem de buscar conflitos mostra justamente o quão fraco ele é”.

 

Novo impulso ao movimento antirracista

Os enfrentamentos em Portland ocorrem após uma semana de protestos em todo o país, que incluíram uma paralisação histórica do esporte pela indignação gerada por mais um caso de violência policial contra um homem negro.

Há uma semana, Jacob Blake, um afro-americano de 29 anos, levou vários tiros disparados por um policial que tentava detê-lo. Embora tenha sobrevivido, ele provavelmente ficará paraplégico.

O caso de Blake, ocorrido em Kenosha, Wisconsin, deu novo impulso à indignação do movimento antirracista iniciado após o assassinato de Floyd.

Os distúrbios que se sucederam aos disparos em Blake causaram duas mortes em Kenosha, onde as autoridades detiveram um jovem de 17 anos, que suspeitam ter apertado o gatilho, matando dois homens e ferindo um terceiro.

 

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