Esporte

Federação do Irã coloca em dúvida a participação do país na Copa do Mundo

O caso envolve o asilo concedido pela Austrália a cinco jogadoras da seleção iraniana feminina

Federação do Irã coloca em dúvida a participação do país na Copa do Mundo
Federação do Irã coloca em dúvida a participação do país na Copa do Mundo
Gianni Infantino, presidente da FIFA, visita Donald Trump na Casa Branca. A proximidade da dupla reforça o tom político da Copa do Mundo nos Estados Unidos. Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP
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O presidente da Federação de Futebol do Irã, Mehdi Taj, voltou a colocar em dúvida a participação do país na Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, no México e no Canadá, depois do asilo concedido pela Austrália a cinco jogadoras da seleção feminina.

“O presidente americano escreveu dois tuítes para pedir que fosse concedido asilo político a nossas jogadoras (…), e que se a Austrália não o fizesse, ele faria. Ele fez 160 mártires ao matar nossas crianças em Minab e agora está sequestrando nossas meninas. Como podemos ser otimistas nessas condições em relação à Copa do Mundo nos Estados Unidos?”, declarou Taj na televisão estatal, referindo-se a um suposto bombardeio contra uma escola na cidade de Minab no começo da guerra, cuja responsabilidade o Irã atribui a Israel e aos Estados Unidos.

“Se a Copa acontecer nessas condições, quem em sã consciência mandaria sua seleção nacional para um lugar assim?”, acrescentou o dirigente.

O Irã terá dois de seus três jogos da fase de grupos do Mundial em Los Angeles, contra Bélgica e Nova Zelândia, e um em Seattle, contra o Egito.

A Austrália concedeu asilo a cinco jogadoras da seleção iraniana feminina que foram chamadas de “traidoras” pelo regime de Teerã depois de terem se recusado a cantar o hino nacional antes de um jogo da Copa da Ásia, que acontece no país da Oceania, em meio à guerra no Oriente Médio desde o início da intervenção de Israel e Estados Unidos no Irã em 28 de fevereiro.

Essa decisão foi motivada pelo risco de as atletas serem perseguidas ao retornarem, anunciou nesta terça-feira o ministro do Interior australiano, Tony Burke.

As jogadoras permaneceram em silêncio durante a execução do hino do Irã antes da estreia contra a Coreia do Sul, dois dias depois do início da guerra. Nos dois jogos seguintes na competição, elas cantaram o hino.

Essa atitude foi interpretada como um ato de rebeldia, e um apresentador da televisão estatal chamou as jogadoras de “traidoras em tempos de guerra”.

Várias pessoas pediram à Austrália que garantisse a segurança das iranianas, incluindo o presidente norte-americano, Donald Trump.

“Já estão cuidando de cinco delas, e as demais seguirão o mesmo caminho. Algumas, no entanto, sentem que devem retornar [ao Irã] porque temem pela segurança de suas famílias”, disse Trump na segunda-feira, após uma conversa com o primeiro-ministro australiano.

Na semana passada, o presidente da federação iraniana já havia levantado dúvidas sobre a participação do país na Copa do Mundo, que será disputada de 11 de junho a 19 de julho.

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