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Começa na Argentina o novo julgamento sobre a morte de Maradona

O primeiro foi anulado em meio a um escândalo pela participação de uma juíza na produção clandestina de um documentário

Começa na Argentina o novo julgamento sobre a morte de Maradona
Começa na Argentina o novo julgamento sobre a morte de Maradona
Fã levanta cartaz com a mensagem "Justiça por D10s [apelido de Maradona]", em 11 de março de 2025, em meio ao julgamento dos médicos. Foto: Luis Robayo/AFP
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O novo julgamento pela morte do lendário jogador de futebol Diego Maradona começa nesta terça-feira 14 na Argentina após a anulação do primeiro no ano passado, em meio a um escândalo pela participação de uma juíza na produção clandestina de um documentário.

As filhas de Maradona, Dalma, Gianinna e Jana, assim como sua ex-companheira Verónica Ojeda, estavam presentes na lotada sala do tribunal em San Isidro, ao norte de Buenos Aires, constatou a AFP.

O ícone do futebol argentino morreu aos 60 anos em 25 de novembro de 2020 devido a uma crise cardiorrespiratória e um edema pulmonar em uma residência privada em Tigre, perto de San Isidro, onde se recuperava de uma neurocirurgia.

Sete profissionais de saúde — médicos, psicólogos, enfermeiros — que o atendiam na época são acusados de homicídio com dolo eventual, figura que implica que eles tinham consciência de que suas ações podiam ocasionar a morte do ex-jogador.

“Diego Maradona começou a morrer 12 horas antes de sua morte de fato; qualquer pessoa que tivesse pensado em transferi-lo, em sua última semana, para uma clínica em um carro ou ambulância teria salvado sua vida”, acusou nesta terça-feira o promotor Patricio Ferrari.

Tratou-se de “um grupo de despreparados” que cometeu “todo tipo de omissões” durante uma “internação cruel, limitada, desprovida de tudo”, disse Ferrari.

Em sua alegação inicial, o advogado de Dalma e Gianinna, Fernando Burlando, mostrou um estetoscópio: “Este pequeno instrumento, tão importante para a medicina, jamais entre os dias 11 e 25 (de novembro) foi apoiado no peito de Maradona, jamais seu coração foi escutado”, afirmou.

Do lado de fora do tribunal, cerca de 50 pessoas compareceram com bandeiras argentinas e cartazes pedindo “justiça por D10s”, como seus fãs se referem ao “Dez”.

“Todos nós nos perguntamos por que não cuidaram dele”, disse à AFP Francisco Tesch, de 34 anos, que usava uma camiseta com o rosto de Maradona.

O processo terá 30 audiências, duas vezes por semana, e a previsão é que termine não antes de julho. A defesa sustenta que a morte do astro não poderia ter sido evitada.

A notícia da morte do campeão mundial com a Argentina em 1986 levou centenas de milhares de pessoas às ruas em um luto coletivo em meio à pandemia de Covid-19.

“Justiça divina”

Durante o midiático julgamento em 2025, foram divulgadas imagens de Julieta Makintach, uma das três juízas do tribunal, como protagonista de um documentário clandestino sobre o mesmo processo do qual fazia parte.

A magistrada foi afastada, o julgamento anulado e o escândalo dominou as manchetes na Argentina e no exterior.

O escândalo anulou 20 audiências judiciais e 44 depoimentos colhidos ao longo de dois meses e meio, entre março e maio.

Intitulado Justiça Divina, o documentário mostrava Makintach caminhando pelos corredores do tribunal com música eletrônica ao fundo e depois sendo entrevistada em seu gabinete.

A juíza foi destituída em novembro em um julgamento político.

Ao longo do primeiro processo, foram questionadas tanto as condições da internação quanto a pertinência de atender o ex-jogador de futebol em sua residência em Tigre, um acordo firmado entre a família e a equipe médica após a neurocirurgia.

As defesas têm diferentes estratégias para cada acusado. Os principais são a psiquiatra Agustina Cosachov, o médico de confiança Leopoldo Luque e o psicólogo Carlos Díaz.

Os acusados enfrentam penas de 8 a 25 anos de prisão. Uma oitava acusada será julgada em um processo separado.

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