Entrevistas
Moisés Selerges: ‘É possível acabar com a escala 6×1 em todos os setores’
Ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, candidato apoiado por Lula quer criar uma ‘bancada dos trabalhadores’ na Câmara dos Deputados
A votação do fim da escala 6×1 será uma oportunidade para deixar claro quem, no Congresso, está realmente ao lado dos trabalhadores, avalia Moisés Selerges, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Candidato a deputado federal com um poderoso cabo eleitoral, o presidente Lula, um amigo e companheiro de lutas de longa data, ele defendeu a redução da jornada e a criação de uma “bancada dos trabalhadores” no Legislativo durante uma entrevista ao canal de CartaCapital no YouTube.
Para Selerges, a redução da jornada semanal é “plenamente possível em todos os setores”. O petista cita como exemplo as montadoras de automóveis do ABC. Segundo o sindicalista, há mais de 30 anos as fábricas da região operam sem parar, 24 horas por dia, enquanto seus trabalhadores cumprem jornadas de 40 horas semanais e têm dois dias de descanso.
Selerges também relaciona a redução da jornada aos ganhos de produtividade proporcionados pelo avanço tecnológico nos últimos anos. Ele lembra que, quando começou a trabalhar na fábrica da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP), como pintor de chassis de caminhão, ainda nos anos 1980, a empresa tinha cerca de 18 mil funcionários. Hoje, são aproximadamente 8 mil, e a produção se manteve no mesmo patamar.
Para o sindicalista, a resistência à aprovação da PEC que extingue a escala 6×1 é fruto da desigual correlação de forças no Congresso. “Na Câmara, os 513 deputados se dividem entre as bancadas do boi, da bala, das bets, do sistema financeiro… Mas ainda não existe uma frente parlamentar que cuide da pauta dos trabalhadores”, observa.
Entre os assuntos que essa bancada deveria enfrentar está a transformação do mercado de trabalho provocada pelas plataformas digitais. Para Selerges, o fenômeno da “uberização” alcançou diversas profissões e criou uma massa de trabalhadores sem garantias previdenciárias e trabalhistas. “Todos eles têm uma característica em comum: são recrutados pelo celular e não possuem direito algum.”
Selerges defende políticas de apoio aos pequenos empreendedores e afirma que eles não deveriam ser vistos como adversários dos trabalhadores sindicalizados. A dificuldade de acesso ao crédito, segundo o candidato, é um dos principais problemas enfrentados por quem tenta empreender. “Precisamos nos organizar porque eles também são trabalhadores e enfrentam dificuldades. Quando vão num banco, não recebem apoio.”
Ao mesmo tempo, o candidato critica empresas que utilizam a figura do empreendedor para evitar a contratação de trabalhadores pela CLT. Ele defende uma distinção entre quem decide abrir um negócio e aqueles que são levados a atuar como pessoa jurídica por falta de alternativas. “Muitas empresas querem se beneficiar e reduzir custos com a precarização.”
A entrevista completa está disponível no vídeo abaixo:
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