Entrevistas
Lula terá mais relevância para a história do que Getúlio, diz Fernando Morais
Em novo volume da biografia, o biógrafo de Lula reconstrói a travessia dos últimos anos da ditadura até a vitória de 2002
Para Fernando Morais, Lula pode ultrapassar Getúlio Vargas na história política brasileira. É a partir dessa comparação que o escritor organiza sua interpretação no segundo volume da biografia do presidente e tema desta entrevista a CartaCapital.
Lula, volume 2 cobre o arco que vai da derrota de Lula ao governo de São Paulo, em 1982, à vitória presidencial em 2002, período que Morais descreve como uma longa travessia de aprendizado político. Ao centro, a metamorfose do líder sindical combativo em um articulador capaz de negociar com o centro e construir maiorias.
Um dos momentos-chave dessa virada são as Caravanas da Cidadania, que o biógrafo descreve como o “pós-doutorado” de Lula sobre o Brasil real. Ao percorrer o País, o então candidato teria se deparado com uma deterioração social ainda mais aguda do que aquela que marcara sua própria infância. Essas viagens, argumenta Morais, teriam produzido uma inflexão de consciência: deram a Lula uma compreensão direta de um país invisível que os palanques e estúdios não alcançavam.
É a partir desse acúmulo que Morais sustenta sua tese. Mesmo se declarando “getulista”, o escritor argumenta que o petista opera em um ambiente incomparavelmente mais complexo, marcado pela globalização e por uma democracia fragmentada. Além disso, destaca uma característica que considera decisiva: a capacidade de Lula de, quando pressionado, “escapar para a esquerda”.
A entrevista também antecipa o que virá no terceiro volume da biografia: uma análise sistemática da relação conflituosa entre Lula e a imprensa, que Morais pretende examinar com apoio do Manchetômetro.
Assista à integra:
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