Cultura

Diogo Nogueira: ‘O povo está sedento por samba’

Cantor fala dos 80 anos do pai, João Nogueira, e o retorno aos palcos: ‘Como é bom olhar de novo para as pessoas’

Foto: Guto Costa/Divulgação
Foto: Guto Costa/Divulgação

Nesta quinta-feira 2, Dia Nacional do Samba, o cantor Diogo Nogueira diz que o samba é a “alegria do povo”. Com os shows retornando aos poucos, vê o ano que vem como um grande momento do gênero, que tem enorme capacidade de agregar pessoas para cantar e dançar, depois de um longo período de restrições de contato pessoal por conta da pandemia.

“A gente vê que o povo está sedento por samba”, diz. O sambista, que já retornou aos palcos para apresentações presenciais, ainda com restrições, identifica sinergia com o público acima do esperado.

“Como é bom olhar de novo para as pessoas. O povo está precisando, a gente precisa. Estou vendo com felicidade este momento”, conta. “Já estava passando da testa (a crise da pandemia). Samba é a felicidade”.

Ele acredita numa nova geração de compositores para suportar este novo período do samba. Entre eles, Diogo cita João Martins, Inácio Rios, Juninho Thybau, Renato Milagres, Renato da Rocinha, Arlindinho (filho de Arlindo Cruz) e Os Prettos.

“Existe um movimento grandes nas rodas”, conta. “O que acontece é que não sai na grande mídia e as pessoas acham que acabou, que sumiu. O pau está comento e o samba está seguindo”.

Projetos

Durante a pandemia, o sambista desenvolveu vários projetos, sempre cumprindo as determinações das autoridades, inclusive de testagem de Covid-19 de sua equipe.

“Graças aos trabalhos (de lives) pude me manter na pandemia, pois o único trabalho que tenho é cantar”, afirma. Além de ter ajudado a manter a equipe, também arrecadou para as áreas de artistas que estavam precisando, a partir de doações. “Mas foi complicado, não foi fácil não”.

A equipe que trabalha com Diogo, incluindo seus músicos, envolve mais de 20 pessoas. “Na verdade, era preciso manter a vida. Era a única forma que eu podia fazer. Essas pessoas dependem de mim, e também tem pessoas que dependem dessas pessoas que trabalham pra mim”, afirma.

Agora, com o retorno aos palcos, Diogo Nogueira tem agenda fechada até março. Antes da pandemia, ele fazia de 15 a 22 shows por mês.

João Nogueira, seu pai, que morreu em 2000, completaria 80 anos no último dia 12. Diogo Nogueira diz que ele faz falta à música brasileira: “Um cara ativo, que fazia bem a música”.

Um disco em homenagem a João Nogueira está sendo lançado no Teatro Rival, no Rio de Janeiro, neste Dia Nacional do Samba. O álbum tem o nome Nascidos no Subúrbio, sob o comando do violonista, cantor e compositor Jorge Simas, que já foi diretor musical de João Nogueira e do cantor e compositor Didu Nogueira, que foi produtor do sambista e é primo de Diogo.

“O disco que está sendo lançado é bem bacana. Traz um pouco dessa memória e de canções inéditas que ele tinha feito e estavam guardadas”, revela Diogo.

“Daqui para frente vamos comemorar. O bloco Clube do Samba [criado por João] vem aí homenageando seus 80 anos. Serão feitos encontros no Clube antes do carnaval, fazendo com que a memória dele se mantenha viva”, diz o filho do sambista.

Recentemente, Diogo lançou o clipe do single Flor de Canã [composição dele com Rodrigo Leite e Cauique], dedicado à atriz Paolla Oliveira, sua namorada.

O músico diz estar fazendo pesquisa para gravar novo disco no ano que vem. Ele deve ainda gravar e lançar mais um trabalho do projeto audiovisual do Samba de Verão, realizado na pandemia e que gerou três álbuns com participações de Zeca Pagodinho, depois Fundo de Quintal e, por fim, partideiros da nova geração do samba.

A ideia de Diogo Nogueira é chamar novos sambistas para o novo trabalho do projeto, repetindo o que havia feito no último álbum da série: “Há uma rapaziada boa do samba aí que eu ainda quero chamar para o projeto”.

Assine nossa newsletter

Receba conteúdos exclusivos direto na sua caixa de entrada.

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fonte confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!