Vice-presidente da FGV recomenda texto de Mourão e estudantes reagem

Em carta entregue à diretoria da FGV, alunos escrevem que ao chancelar texto do governo sobre a Amazônia, instituição tenta impor opinião

Foto: Reprodução

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Educação

O Diretório e o Centro Acadêmico da Fundação Getúlio Vargas tornaram pública uma carta entregue à diretoria da instituição questionando o envio de um artigo escrito pelo vice-presidente Hamilton Mourão a todos os cadastrados no email corporativo da FGV. A recomendação da leitura foi feita pelo vice-presidente da Fundação, Sérgio Quintella, que reforça a leitura do texto por alunos e funcionários da fundação, “dada a sua enorme importância”.

Intitulado “A Nossa Amazônia”, o artigo de Mourão, publicado no jornal O Estado de S.Paulo no dia 28 de agosto, aborda a questão da repercussão das queimadas na Amazônia. Nos primeiros parágrafos, o texto traz: “No contexto de uma campanha internacional movida contra o Brasil, ressurgiu a antiga pretensão de relativizar, ou mesmo neutralizar, a soberania brasileira sobre a parte da região amazônica que nos cabe, a nossa Amazônia. Acusações de maus tratos a indígenas, uso indevido do solo, desflorestamento descontrolado e inação governamental perante queimadas sazonais compõem o leque da infâmia despejada sobre o País, a que se juntou a nota diplomática do governo francês ofensiva ao presidente da República e aos brasileiros. O Brasil não mente. E tampouco seu presidente, seu governo e suas instituições”.

Na carta em protesto à recomendação da leitura do artigo, os estudantes colocam que “o discurso de proteção à soberania não pode ser utilizado como desculpa para não enxergarmos o óbvio: o nível de devastação da Floresta Amazônica é sem precedente e o governo Bolsonaro tem se omitido na defesa da região, quando não age diretamente contra ela”.

Além disso, os alunos consideram “ultrajante a tentativa de impor, através de um veículo de comunicação oficial da Fundação Getúlio Vargas, uma determinada opinião sobre os alunos, professores e funcionários”, afirmam em outro momento da carta. “Ao dizer qual texto merece ser lido, estaria Quintella, dizendo, por extensão, quais não merecem ser lidos, ou seja, quais opiniões merecem ou não ser consideradas por nós, alunos da FGV?”, questionam.

A carta coloca que a imposição do texto, ainda que implícita e sutil, é profundamente alarmante e indica que a direção da FGV possa estar se aproximando de um caminho perigoso e antidemocrático.

Outro ponto levantado pelos estudantes é que a ação do vice-presidente da FGV infringe artigo do Código de Ética da instituição que afirma que “é dever do destinatário manter a neutralidade nos canais oficiais da FGV nas redes sociais, sobre assuntos de natureza polêmica, envolvendo política, religião e questões sociais e culturais”.

Leia a carta na íntegra.

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Repórter do site CartaEducação

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