UNE: A volta às aulas é urgente. Precisamos vacinar os profissionais da educação

Estamos em uma grande mobilização para que professores e os demais trabalhadores sejam incluídos nesta etapa inicial de imunização

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NELSON ALMEIDA / AFP

Foto: NELSON ALMEIDA / AFP

Educação

Que a (total falta de) estratégia do Governo Bolsonaro para vacinação contra a Covid-19 tem sido um fiasco e sua conduta, criminosa não é novidade. Basta ver os tristes números brasileiros na pandemia. Sua irresponsabilidade pode sim levá-lo a um processo de impeachment.

 

 

 

Além dos números, o atraso brasileiro às respostas para a crise são inaceitáveis. E quando o mundo já respondia à pandemia, com países criando Planos de Imunização, aqui no Brasil, apesar dos esforços de cientistas, do Instituto Butantan, de servidores públicos, do nosso SUS e também do governo de São Paulo, só conseguimos início à vacinação no último dia 18.

Na última semana foram vacinadas cerca de 685 mil pessoas do grupo prioritário, do qual fazem parte os profissionais de saúde da linha de frente, idosos em asilos, indígenas e quilombolas. Até a publicação do artigo estamos junto com todos brasileiros e brasileiras pressionando para que todos os esforços sejam possíveis para a produção de mais doses de vacinas.

Defendemos que a vacina seja disponível para todos, com respeito à prioridade e também estamos em uma grande mobilização para que os profissionais da educação sejam incluídos nesta etapa inicial de imunização.

As aulas à distância não são uma realidade para a maioria dos brasileiros e a situação é alarmante: o Brasil é o país que teve escolas fechadas por mais tempo em todo o mundo . Em São Paulo, quase dez meses na rede pública municipal. As privadas reabriram seguindo protocolos de segurança, agravando ainda mais a desigualdade entres os ensinos.

Estudos do UNICEF e Unesco já alertavam que quanto maior o tempo afastado da escola, maior a chance do aluno não retornar. Em pesquisa do Datafolha publicada na semana passada, de 2020 para cá, 8,4% dos estudantes, com idades entre 6 e 34 anos, abandonaram os estudos.

No ensino básico, a taxa é de 10,8% para os estudantes do ensino médio e 4,6% no ensino fundamental. Já no superior são 16,3%.Todos esses números alarmantes demonstram que teremos imensos desafios para reverter os impactos da pandemia na educação, neste ano e nos próximos. Impactos que reverberam na aprendizagem, desenvolvimento do país, no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), na fome, na violência e desigualdade social.

Assim como na vacinação contra a gripe Influenza, caracterizada como uma doença endêmica, professores e trabalhadores da educação foram inseridos no grupo prioritário por conta do risco de contágio existente em sala de aula, articulamos e mobilizamos a sociedade que eles também sejam inseridos na prioridade para imunização contra a Covid-19.

As aulas precisam voltar. Urgente. E em segurança para os profissionais, alunos e suas famílias.

 

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É estudante de Economia da USP e presidente da União Nacional dos Estudantes.

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