UFRJ recompõe parte do orçamento e projeta atividades até setembro

A universidade considerou a conquista uma 'primeira vitória', mas ainda quer que orçamento seja ao menos igualado ao de 2020

Créditos: Divulgação

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Educação

A Universidade Federal do Rio de Janeiro, que vem fazendo pressão pela recomposição orçamentária, conseguiu liberar parte de verba vinculada a aprovação pelo Congresso Nacional. Uma portaria editada nesta quinta-feira 13 pelo Ministério da Economia permitiu a liberação de 152,2 milhões de reais que dependiam de suplementação do Legislativo. A informação foi confirmada em nota pela universidade.

 

 

Com a liberação, a UFRJ supera o quadro de possível interrupção das atividades em julho, mas projeta – com o atual orçamento – funcionamento completo até setembro.

O pró-reitor de Planejamento e Finanças, professor Eduardo Raupp, considerou a conquista uma ‘”primeira vitória”, mas frisou que parte do valor liberado – 41,1 milhões – já tinha sido bloqueada pelo governo federal. Isso faria com que a instituição tivesse liberados, em um primeiro momento, 111,1 milhões de reais.

O valor compõe o orçamento de 299 milhões de reais aprovado para a instituição neste ano, via Lei Orçamentária Anual. A UFRJ, no entanto, ainda quer que o valor orçamentário seja recomposto minimamente ao de 2020, de 306 milhões.  “Mesmo com todo o atual orçamento liberado, o funcionamento da instituição só estaria garantido até setembro”, explicou Raupp.

Na quarta-feira 12, os reitores da universidade apresentaram a situação orçamentária da instituição. Até aquela data, dos 146,9 milhões liberados, a UFRJ tinha utilizado 65,2 milhões, ficando com o montante de R$ 81,7 milhões. O cenário, afirmaram os reitores, não estenderia as atividades na instituição para além de julho.

A universidade possui 4.198 professores, 9.300 técnicos administrativos e atende 65 mil estudantes. Também mantém nove hospitais universitários que atuam no enfrentamento à Covid-19 e prestam outros atendimentos clínicos.

Ainda durante a coletiva de imprensa na quarta-feira, os porta-vozes da UFRJ comentaram a redução do orçamento discricionário – que são os recursos utilizados para manutenção da estrutura universitária, capacitação profissional, investimentos em pesquisas e auxílios estudantis, entre outros, que não envolvem o pagamento dos servidores na ativa e aposentados. A situação também atinge outras universidades federais.

Veja os números do orçamento discricionário da UFRJ nos últimos anos:

2011 – R$ 639 milhões
2012 – R$ 773 milhões
2013 – R$ 735 milhões
2014 – R$ 611 milhões
2015 – R$ 606 milhões
2016 – R$ 541 milhões
2017 – R$ 487 milhões
2018 – R$ 430 milhões
2019 – R$ 389 milhões
2020 – R$ 306 milhões
2021 – R$ 299 milhões

 

“O que está acontecendo não é uma fatalidade, é uma escolha política”, acrescentou Raupp. “Não há nenhum critério técnico que obrigue a fazer esse corte. O que está em jogo é a alocação de recursos, e as prioridades dadas ao governo com outros gastos, emendas, em detrimento à educação”.

 

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