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Paisagens revelam diferentes olhares através do tempo sobre o continente americano

Artes,Disciplinas,Educação,Ensino Fundamental I,Ensino Fundamental II,Temas de Aula

Até o dia 29 de maio, o público que visitar a Pinacoteca do Estado de São Paulo poderá passear por diversas paisagens que exibem a representação da natureza por meio da pintura, desenho e gravura, mostrando os diferentes pontos de vistas de artistas da Argentina, Chile, Equador, Venezuela Brasil, México, Estados Unidos e Canadá.

Uma viagem através do tempo, na história da pintura de paisagem do século XIX ao XX, da Terra do Fogo ao Ártico.

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Confira sugestão de atividade de Artes relacionada ao tema:

Ano do Ciclo: 3º a 7º anos do Ensino Fundamental

Possibilidade Interdisciplinar: História

Duração: 3 aulas

Objetivo de aprendizagem:

– Produzir desenhos de observação utilizando lápis e papel.

– Reconhecer semelhanças e diferenças entre os desenhos apreciados.

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As obras apresentadas mostram a diferença entre a representação de uma paisagem natural seguindo regras de representação das academias de Belas Artes e a apresentação de uma paisagem urbana por meio de uma pintura moderna. Levante com os alunos quais são as diferenças entre paisagem natural e paisagem urbana.

O que a pintura de Taunay apresenta e como? Faça um levantamento das palavras que descrevem uma paisagem natural: rios, lagos, montanhas, céu nuvens, sol, luz, água, árvores, mar

Peça para que escrevam um texto, usando o vocabulário levantado, apresentando esse lugar para uma pessoa que nunca o viu. Como um texto de cartão postal.

Proponha uma discussão com os alunos: Cidade tem paisagem? Quais são os elementos que caracterizam uma paisagem urbana? Edifícios, casas, trem, ônibus, carros, ruas, avenidas, pontes, postes etc. Qual a paisagem da sua cidade? Da sua rua? Do seu bairro?

Assim como os pintores viajantes, proponha uma expedição pelo bairro. Eleja com os alunos – uma praça, uma rua, uma vila, um parque onde os alunos possam ir a pé.

Separe o material de desenho para todos – lápis, papel e prancheta ou, se não houver prancheta, peça que levem um caderno para servir de apoio. Durante a caminhada, aponte para os alunos os elementos da paisagem – árvores, flores, lixeiras, caçambas, pontos de ônibus, grafites e pichações.

Ao chegar ao local, peça que escolham um ponto de vista, sentem-se e façam um desenho. Ao voltar para a sala de aula, peça que eles organizem esses desenhos pendurando-os na parede para formar uma visão panorâmica do local. [/bs_citem][bs_button size=”md” type=”info” value=”Leia Mais” href=”#citem_5422-8f97″ parent=”collapse_e98f-4f2c” cor=”azul”][/bs_col][/bs_row]

Montanhas, cachoeiras, florestas, o mar, a neve. Foram vários os artistas que registraram com seus lápis e pincéis as cenas, paisagens, flores, frutas, animais e habitantes de nosso país e de outros tantos, retratando as belezas e diferenças de sua natureza.

A paisagem surge na história da pintura na Idade Média, mas não como tema e sim como representação de um ambiente no qual as cenas religiosas ou os santos eram retratados.

No século XVII, ela encontra um caminho diferente – os artistas passaram a registrar suas viagens em desenhos realizados no local que, além de um documento visual de terras distantes, também serviriam de material para a realização de pinturas e gravuras realizadas no atelier.

A prática do artista viajante de representar com minúcia as paisagens se estendeu por vários países, e suas obras nos mostram o registro cuidadoso dos lugares visitados, compartilhando suas experiências de viagens.

No Brasil, os artistas estrangeiros participaram de expedições juntamente como cientistas e botânicos. Entre essas expedições, as que deixaram um maior número de imagens foram as realizadas no período em que Maurício de Nassau foi governador-geral do Brasil holandês, entre 1637 e 1644.

Essas imagens retratavam o País, mostrando as terras descobertas, suas riquezas naturais, seus povos e costumes para seus descobridores conhecerem melhor a terra a ser explorada.

Dois séculos após as expedições de Maurício de Nassau, outra expedição deixou importantes imagens de nosso País produzidas por artistas como Florence, Taunay e Rugendas (os dois últimos com obras presentes na exposição).

Comandada pelo Barão Langsdorff e organizada com o apoio financeiro do czar russo Alexandre I, a expedição partiu do Rio de Janeiro, viajando pelos estados de São Paulo, Mato Grasso e Amazonas, entre 1824 e 1829.

Rugendas compunha a expedição, mas abandonou o grupo no início, em 1824, e foi substituído por Aimé-Adrien Taunay que registrou com seus desenhos as paisagens, os costumes, a fauna e a flora dos lugares por onde passou.

Os desenhos de campo, realizados pelo artista a partir da observação direta da natureza eram, posteriormente, utilizados como estudos para a produção de suas obras.

A pintura Baía de Guanabara de Taunay mostra a cidade do Rio de Janeiro e sua majestosa natureza e tornou-se um ícone da representação da capital do país naquele momento.

Baía de Guanabara vista da Ilha das Cobras, 1828 (Félix Émile Taunay Montmorency, França, 1795 – Rio de Janeiro, Brasil, 1881)

Parte da obra ‘Baía de Guanabara vista da Ilha das Cobras’, 1828. Óleo sobre tela. (Félix Émile Taunay.
Montmorency, França, 1795 – Rio de Janeiro, Brasil, 1881). Instituto Ricardo Brennand, Recife, Brasil

Mas não foram só os estrangeiros que pintaram o Brasil. Com o passar dos anos surgiram artistas brasileiros que também retrataram as diversas faces de nosso país.

O Brasil se modernizava, suas paisagens se transformavam, as cidades se formavam e novas experiências pictóricas surgiam junto com esses avanços.

Podemos observar essa mudança nas pinturas de paisagem nas obras de Anita Malfatti e Tarsila do Amaral (também presentes na exposição).

Anita participou da Semana de Arte Moderna, em 1922, movimento que reuniu artistas com o objetivo de produzir obras com temas nacionais não apenas nas artes visuais, mas também na literatura, música e teatro.

Tarsila não estava nesse momento no Brasil, mas ao voltar ao País, em 1924, adere aos ideais do grupo modernista e torna-se uma das grandes representantes das ideias do movimento.

A pintura São Paulo apresenta o olhar da artista sobre uma cidade em construção, exibindo elementos que apontavam para a urbanização como edifícios, o painel de publicidade mostrando números e as estruturas de ferro. Assim, Tarsila mostrou São Paulo – uma cidade que se modernizava junto com a pintura.

Entre artistas acadêmicos e modernos, entre paisagens naturais, rurais e urbanas tão distintas entre si, a paisagem estabeleceu-se como um dos grandes gêneros da pintura e é um documento visual que nos permite viajar pela história da arte e seus diferentes caminhos.

 

* Renata Sant’Anna é mestre em Artes pela Escolas de Comunicações e Artes da USP e coordenadora da a Divisão Técnico-Científica de Educação e Arte no Museu de Arte Contemporânea da USP

 

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