Educação
O que se sabe sobre o ataque a tiros em instituto federal do Rio que matou duas servidoras
O caso aconteceu no Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) Celso Suckow da Fonseca, no Maracanã; vítimas serão veladas neste domingo
Duas servidoras do Rio de Janeiro morreram na última sexta-feira 28, após um ataque a tiros no Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) Celso Suckow da Fonseca, no Maracanã, zona norte da cidade.
Allane de Souza Pedrotti Matos e Layse Costa Pinheiro chegaram a ser socorridas, mas não resistiram aos ferimentos.
O autor dos disparos era um funcionário da instituição, e estava afastado há 60 dias por problemas psiquiátricos. João Antônio Miranda Tello Gonçalves tirou a própria vida após o ataque.
Créditos: Reprodução
Segundo informações da Polícia Militar, o atirador desejava retornar ao setor onde atuava Allane, que era coordenadora da Divisão de Acompanhamento e Desenvolvimento de Ensino da instituição e atuava com assessoria pedagógica e acadêmica em todos os oito campus do Cefet no estado.
Entre dezembro de 2019 e junho de 2020, pelo menos, João foi coordenador da Coordenadoria Pedagógica do Departamento de Ensino Médio e Técnico do Cefet. Já Layse Costa Pinheiro era psicóloga da instituição.
Após a tragédia, o instituto decretou luto oficial de cinco dias na unidade Maracanã, onde as atividades seguirão suspensas até a sexta-feira, 5 de dezembro.
Quem eram as vítimas?
Allane trabalhava como coordenadora da equipe pedagógica e acadêmica da Direção de Ensino do CEFET/RJ na Coordenação de Educação Profissional e Tecnológica de Ensino Médio, atuando com assessoria pedagógica e acadêmica. Também coordenou todas as comissões de estudo e implantação do Ensino Profissional Técnico de Nível Médio (EPTNM) na unidade Maracanã e demais comissões gestoras, além de ter sido membro da Comissão de Heteroidentificação (CHET).
Era formada em Formada em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e se especializou em Psicomotricidade, pela Universidade Cândido Mendes. Era mestre em em Sistemas de Gestão, pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutora em Letras pela PUC-RJ, com pesquisa na área de Linguística Aplicada.
Allane de Souza Pedrotti Matos — Foto: Reprodução
Parte de seu doutorado foi feito na University of Copenhagen, na Dinamarca, onde desenvolveu pesquisa e ministrou disciplina para a graduação como professora convidada. A experiência foi financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Para além do mundo acadêmico, Allane era cantora, compositora e pandeirista. Era integrante do Grupo Quilombo Urbano, que surgiu no Renascença Clube, no Andaraí. Nas redes sociais, tinha o hábito de compartilhar vídeos cantando samba. Em sua última publicação, registrada nos stories do Instagram ainda na manhã da sexta-feira, a servidora publicou um vídeo em que cantava a canção “Queixa”, de Caetano Veloso, com a mensagem: “Uma ótima sexta, com essa poesia”. Allane era mãe de uma adolescente.
Nas redes sociais, o Renascença Clube publicou uma nota de pesar pela morte de Allane. “A notícia nos entristece e deixa um vazio entre amigos, frequentadores e toda a nossa comunidade”, registrou em um trecho. “Que sua memória seja lembrada com respeito, afeto e gratidão”, completou.
Layse era servidora pública federal do Cefet-RJ e foi a primeira colocada no concurso prestado em 2014 para o cargo de psicóloga. Ela ocupava o cargo desde novembro de 2017, tendo atuado na área de Gestão de Pessoas entre 2014 e 2017.
Era graduada em Psicologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), especializada em Gestão de Pessoas pela Faculdade Internacional Signorelli. Tinha mestrado incompleto (interrompido em Dezembro de 2017) no Programa de Pós-graduação em Psicologia Social da UERJ. Nas redes sociais, se definia como “apaixonada por música e dança de salão”.
Layse Costa Pinheiro. Créditos: Reprodução
As vítimas foram veladas neste domingo. A cerimônia de Allane estava marcada para as 12h, no Cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Paciência, na zona oeste do Rio. Já a cerimônia de Layse estava marcada para as 12h15 no Cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo, na zona sul da cidade.
O ministro da Educação, Camilo Santana, prestou solidariedade aos familiares e amigos das vítimas nas redes sociais após o episódio que definiu como ‘tragédia’.
Ainda não há há confirmação oficial sobre a motivação do crime, que segue sendo investigado. A Delegacia de Homicídios da Capital abriu uma investigação para esclarecer o que levou João Antônio a cometer o ataque, além de analisar seu histórico funcional e o afastamento por questões de saúde mental.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.



