Na Câmara, Weintraub reafirma que há plantação de maconha em universidades

Parlamentares de oposição acusam ministro de usar sensacionalismo para causar medo e chancelar o desmonte da educação pública

Créditos: EBC

Créditos: EBC

Educação

O ministro da educação Abraham Weintraub reafirmou a existência de plantações de maconha e laboratórios de produção de drogas nas universidades federais. Nesta quarta-feira 11, o ministro foi convocado pela Comissão de Educação da Câmara para prestar esclarecimentos sobre as acusações. O gestor levou à reunião algumas reportagens jornalísticas, caso de uma apresentada pelo jornalista Marcelo Rezende, que faleceu em 2017, quando ainda estava à frente do programa Cidade Alerta, da Tv Record.

“As universidades estão doentes, pedindo nosso socorro. Sou a favor da autonomia em pesquisa, pode falar do que quiser, até de Karl Marx, não tem problema, mas a PM tem que entrar nos campus”, defendeu Weintraub.

O ministro foi duramente criticado pelos parlamentares de oposição, que o acusaram de utilizar falas sensacionalistas para causar medo e chancelar o projeto de desmonte das universidades federais e a educação pública.

A deputada federal Margarida Salomão (PT) rebateu as reportagens apresentadas por Weintraub, que se referiam na maioria a casos de drogas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade de Brasília (UNB). “Ambos os casos já foram apurados. Na UFMG, o delegado responsável identificou os suspeitos e disse que eles não eram alunos da universidade. Na UNB, os pés de maconha foram encontrados em um local que não fazia parte do campus. Não podemos focar o destino de nossas políticas públicas educacionais em casos incidentais”, criticou a parlamentar.

“Precisaríamos de provas que fossem além de versões sensacionalistas. E, ainda que fosse o caso, seu papel como gestor da educação seria o de apurar, cobrar, impedir e inibir e não fazer disso fofoca para prejudicar as instituições. O senhor comete prevaricação ao fazer isso”, emendou Salomão. O crime se dá quando um funcionário público, indevidamente, retarda ou deixa de praticar ato de ofício, ou pratica-o contra disposição legal expressa, visando satisfazer interesse pessoal.

O deputado federal João Carlos Bacelar (Podemos) acrescentou que, ao culpabilizar as universidades, o ministro “imputa genericamente a docentes e reitores a fama de traficantes de drogas”.

A deputada federal Rosa Neide (PT) também questionou  a atuação direta da PM nos campus. “A presença da PM em todos os cantos do país evita o tráfico, o uso de drogas?”, questionou. A parlamentar reafirmou que os casos trazidos pelo ministro não dizem sobre a totalidade das universidades, caso da UNB que tem um universo de 40 mil estudantes e da UFMG, com 50 mil.

Já o deputado federal Ivan Valente cobrou o ministro sobre a ausência da análise do caso de drogas em universidades particulares, que concentram a maior parte das matrículas no Ensino Superior. “Isso é uma farsa, uma agressão à universidade pública”, rebateu o parlamentar, que acusou o ministro de ser inimigo do conhecimento.

De maneira geral, os parlamentares cobraram investimentos para o Ensino Superior e respeito à autonomia universitária para que as universidades continuem desenvolvendo suas atividades e contribuindo com as pesquisas do País.

Há oito meses frente ao MEC, Abraham Weintraub não avançou nas políticas educacionais, embora tenha afirmado que o país “vive a maior revolução na área do ensino dos últimos 20 anos”.

 

Um  relatório feito pela Comissão Externa de Acompanhamento do MEC (Comex) apresentado no último dia 3 de dezembro apontou que o planejamento e a gestão do Ministério da Educação estão muito aquém do esperado. O documento chama a atenção para a baixa execução orçamentária de diversos programas educacionais, alguns próximos a zero, e a falta de publicação do planejamento estratégico pela pasta no ano de 2019.

Responda nossa pesquisa e nos ajude a entender o que nossos leitores esperam de CartaCapital

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Repórter do site CartaEducação

Compartilhar postagem