Educação

Militar e ligado ao mercado financeiro: quem é Carlos Decotelli, novo ministro da Educação

Entusiasta da financeirização da Educação, o novo ministro foi descartado por Abraham Weintraub em agosto do ano passado. Veja mais:

(Foto: Ag Câmara)
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O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quinta-feira 25 sua nova escolha para o lugar de Abraham Weintraub: Carlos Alberto Decotelli, 67 anos, é o novo ministro da Educação.

No currículo, uma longa carreira relacionada ao mercado e uma breve passagem pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) em 2019, sem grandes políticas destacáveis atribuídas à sua gestão, mas com debates sobre a incorporação da educação ao mercado financeiro.

Segundo dados do MEC, Decotelli fez pós-doutorado na Bergische Universitãt Wuppertal, na Alemanha, é doutor em administração financeira pela Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, e mestre em administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O novo ministro soma-se também ao núcleo militar do governo, pois é oficial de reserva da Marinha Brasileira. No entanto, este não é o único núcleo pelo qual transita: o ministro é alinhado a Paulo Guedes, com quem co-criou um MBA de Finanças no IBMEC (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), do qual Guedes foi vice-presidente. No currículo, também consta que Decotelli tem experiência como professor de pós-graduação na área de Finanças e que também trabalhou com o ex-ministro da Justiça Sergio Moro na PUC-RS.

Atuação no FNDE

O atual ministro ajudou a consolidar o MEC na equipe de transição de governos entre 2018 e 2019, antes de Bolsonaro efetivamente assumir como presidente. A gestão inicial, no entanto, não funcionou como o esperado: no dia 8 de abril, o ministro Ricardo Vélez seria o primeiro da pasta a cair. No seu lugar, assumiu Abraham Weintraub.

Carlos Alberto Decotelli foi diretor do Fundo Nacional pelo Desenvolvimento da Educação (FNDE) entre fevereiro e agosto de 2019. Nas agendas cumpridas no Congresso Nacional e em encontros com secretários estaduais e municipais de Educação, Decotelli chegou a sugerir a criação de um investimento para o setor ligado aos bancos e ao mercado financeiro, aos moldes do que acontece com o ramo imobiliário e o agronegócio.

“Hoje nós temos a LCA – Letra de Crédito do Agronegócio –, para garantir a segurança alimentar do brasileiro, usando mecanismos de mercado de capitais. Nós temos a LCI para garantir a segurança imobiliária, flexibilidade empresarial e operacional para o mercado. Nós deixamos aqui uma provocação: Se nós somos da educação, por que não criarmos a LCE, replicando com inteligência, criatividade e mecanismos legislativos a maneira pela qual tivemos lá nos anos 80 a solução de mercado de capitais? ”, disse o então presidente do órgão em agosto, na Câmara dos Deputados, um pouco antes de sair do cargo.

Foi exonerado do cargo no dia 29 de agosto de 2019 e estava designado para ser Secretário de Modalidades Especializadas, que cuida de projetos de educação para crianças com necessidades especiais. No entanto, para a surpresa de Decatelli, Weintraub decidiu nomear Ilda Ribeiro Peliz, nome também apoiado pela primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Giovanna Galvani

Giovanna Galvani
É repórter do site de CartaCapital.

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