Líderes estudantis são agredidos e impedidos de falar na Câmara

'Eu não quero falar com a UNE, eles não estão eleitos. Eu nunca fui filiado à UNE', disse o ministro Abraham Weintraub

Líderes estudantis são agredidos e impedidos de falar na Câmara

Educação

A presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Marianna Dias, e o presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Pedro Gorki, foram agredidos e impedidos de se pronunciar durante reunião da Comissão de Educação na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira 22.

Segundo os líderes estudantis, a explanação dos estudantes seria feita ao fim da reunião, conforme acordo prévio com o deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB), presidente da Comissão de Educação, e a deputada Professora Marcivânia (PCdoB-AP), presidenta da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara.

Quando Marianna e Pedro tomariam o lugar de fala, já ao fim da sessão, deputados ligados ao governo Bolsonaro tentaram impedir a explanação. “Alguns deputados disseram que não falaríamos, fomos insultados de vagabundos, maconheiros”, relata Marianna.

A presidenta da Comissão ainda tentou garantir o uso do microfone aos representantes, mas foi acuada por deputados da base governista. Marianna e Pedro também foram agredidos na tentativa de se manter dentro da sala. “Os seguranças tentaram nos expulsar, puxaram nossos braços, roupas. Só conseguimos nos manter na sala porque alguns deputados aliados intercederam contra os seguranças que estavam nos machucando”, relatou a presidenta da UNE. A reunião foi encerrada diante a confusão.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, se negou a ouvir e a dialogar com a UNE e a UBES. “Eu não quero falar com a UNE, eles não estão eleitos. Eu nunca fui filiado à UNE”, declarou. O ministro se retirou da sala logo após a declaração.

Em declaração após a confusão, Marianna afirmou: “Nós somos o pesadelo do governo Bolsonaro e não vamos deixar esse governo dormir em paz, porque estão tirando os direitos dos estudantes e isso é crime contra o povo. Se os estudantes não podem estar na casa do povo, depois de parar o Brasil para falar com o ministro da Educação, onde mais a gente tem que estar?”, questionou.

Ela criticou a tentativa dos seguranças de tirarem à força os dois representantes do plenário. “Nós não somos bandidos não. Somos estudantes, queremos ter escola, educação, universidade. Aqui é nossa casa. Se os deputados estão aqui, se o governo está aí é porque o povo colocou. Agora, se tem rei no Brasil, dono do Brasil, que tem verdades absolutas, a gente quer derrubar o rei do Brasil então. A partir de hoje, Bolsonaro e o ministro da Educação não dormem em paz, porque é estudante na rua, contra esse governo absurdo. Se eles querem balbúrdia, a gente faz em defesa dos nossos direitos”, defendeu.

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Repórter do site CartaEducação

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