Educação

Governo promete parte do Enem em modelo digital para 2020

A ideia é migrar progressivamente para o modelo e tornar a prova definitivamente digital em 2026. Será que funciona?

Créditos: EBC
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O Ministério da Educação anunciou nesta quarta-feira 3 que o Enem vai ser totalmente digital até 2026. A ideia é migrar progressivamente para o modelo que já começa a ser aplicado em modelo piloto no ano que vem. A primeira edição contemplará 50 mil candidatos de 15 capitais: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP).

Segundo o governo, no primeiro ano de teste, as aplicações digitais serão opcionais e o estudante poderá escolher o formato da prova no momento da inscrição. A expectativa é que a versão digital abra outras possibilidades como a de realização do exame em várias datas ao longo do ano, por agendamento, além da utilização de outros recursos como vídeos, infográficos e a lógica dos games. Também será possível aplicar o Enem em mais municípios.

Em 2020, o Enem terá três aplicações: digital, a regular e a reaplicação, para os candidatos que enfrentarem algum problema durante a realização da prova digital. Nesses casos, é prevista uma reaplicação em papel. As vagas serão preenchidas por ordem de chegada e interesse dos estudantes na inscrição.

 

A aplicação da prova já tem datas para o ano que vem. O formato digital será aplicado em dois domingos, 11 e 18 de outubro. A versão regular, em papel, nos dias 1 e 8 de novembro. Segundo o governo, a estimativa do custo do projeto digital é de 20 milhões e não há a expectativa de compra de novos computadores, mas o uso de equipamentos de instituições de ensino localizadas nas cidades participantes.

O coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, alerta para questões de ordem pedagógica e econômica que o modelo suscita. Uma preocupação do educador é em relação ao banco de itens, criado pelo Inep, e que dá subsídios a diversas avaliações, entre elas o Enem. “Cada item colocado no banco é calibrado para medir aprendizagens específicas. Caso o banco seja desmobilizado, teremos uma perda de confiabilidade da prova, além de perdas financeiras”, coloca.

Cara suspeita de que o modelo digital possa ser utilizado para favorecer empresas de tecnologia, sobretudo com o aumento do ensino a distância, e que o processo ainda possa impactar os estudantes, no caso de terem que se responsabilizar pelo acesso a um computador para realizarem a prova.

O especialista não acredita que o modelo trará reduções orçamentárias impactantes – este ano, o custo estimado é de 500 milhões. “Se o Brasil fosse um país majoritariamente de renda média alta, tudo bem, mas estamos falando de um território diverso e de uma operação que tem que garantir, entre outras questões, o princípio da inclusão. Por isso, acho que a redução pode ser sentida no início, mas não mantida a longo prazo”, avalia.

Ana Luiza Basilio

Ana Luiza Basilio
Repórter do site de CartaCapital

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