FGV diz que Decotelli não foi professor efetivo da instituição

Fundação afirmou que novo ministro foi professor colaborador em cursos de lato sensu

O novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Educação

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) desmentiu que o novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, tenha sido pesquisador e professor efetivo da pós-graduação na instituição. A informação foi divulgada na segunda-feira 29. O currículo acadêmico do novo ministro descreveu atuação como professor de 2001 a 2018.

Em nota na íntegra, reportada pelo jornal O Estado de S. Paulo, a FGV afirmou que “Prof. Decotelli atuou apenas nos cursos de educação continuada, nos programas de formação de executivos e não como professor de qualquer das escolas da Fundação. Da mesma forma, não foi pesquisador da FGV, tampouco teve pesquisa financiada pela instituição”.

Nesta terça-feira 30, a instituição escreveu a CartaCapital que Decotelli atuou como colaborador: “Ele foi professor colaborador de diversos cursos lato sensu do FGV IDE, que é o Instituto de Desenvolvimento Educacional da FGV”.

Lato sensu é o nome dado às pós-graduações que compreendem programas de especialização, como os cursos designados como Master Business Administration (MBA). Com duração mínima de 360 horas, o curso dá um certificado ao aluno, e não um diploma. Já as pós-graduações stricto sensu compreendem programas de mestrado e doutorado.

 

O currículo acadêmico de Decotelli foi desmentido por instituições de ensino. O novo ministro sustentou que fez doutorado na Argentina e pós-doutorado na Alemanha, mas a Universidade de Rosário e a Universidade de Wüppertal disseram que ele não possui ambas as titulações.

Além disso, a dissertação de mestrado de Decotelli foi acusada de plágio. Em entrevista à imprensa, ele negou cópia e alegou “distração”. Sua posse seria realizada nesta terça-feira 30, mas foi adiada e questionada no Tribunal de Contas da União (TCU).

Confira a nota na íntegra divulgada pela FGV na segunda-feira 29, reportada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

“A FGV se encontra em regime de trabalho remoto, com aulas presenciais suspensas inclusive, desde março de 2020, por força do isolamento imposto pela pandemia do Coronavírus, seguindo determinação das autoridades constituídas, federal, estadual e municipal, em razão do estado de emergência de saúde.

O Prof. Decotelli cursou mestrado na FGV, concluído em 2008. Assim, qualquer informação a respeito demandará acesso a arquivos físicos da época pelos respectivos orientadores responsáveis, o que só poderá se dar após o retorno destes a atuação presencial, eis que todos pertencentes ao chamado grupo de risco.

Quanto aos cursos de doutorado e pós-doutorado, realizados com outras instituições educacionais, cabe a estas prestar eventuais esclarecimentos e não à FGV, para quem o Prof. Decotelli atuou apenas nos cursos de educação continuada, nos programas de formação de executivos e não como professor de qualquer das escolas da Fundação.”

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