Educação

Dia do Estudante como nenhum outro: mudar os rumos da história

O maior desafio da nossa geração: defender a vida, pelas vias da educação e da democracia

Por Iago Montalvão e Elida Elena*

11 de agosto é datado como marco do Dia do Estudante, instituído em 1927, cem anos após ter sido criado o primeiro curso universitário no Brasil. No dia, também, a UNE completa 83 anos de história.

Contar a trajetória da entidade é também relembrar as grandes lutas pela defesa da educação e da democracia nos últimos – quase – cem anos. Não foram poucas as conquistas, que apontaram para um futuro muito mais promissor e menos desigual nesse tempo, assim como não foram poucos os desafios.

Porém, consideramos o dia 11 de agosto, neste ano, como nenhum outro. Representando milhões de estudantes desse país, estamos diante do maior desafio da nossa geração: defender a vida! Estamos vivendo uma crise sanitária jamais vista, que tragicamente, até a data de hoje, já matou mais de cem mil brasileiros.

A Covid-19 é trágica em todo o mundo, porém, antes de estar entre os brasileiros, nós já enfrentávamos a “doença” causada pelo governo Bolsonaro, que tenta impor retrocessos, projeta uma escalada autoritária, deslegitima instituições democráticas e públicas com desinformação e fake news, corta investimentos na educação e na ciência, aparelha ministérios e, agora, na pandemia, comete crime contra a humanidade, em uma gestão assassina, com total descaso, frente à grave crise na qual estão imersos os brasileiros.

A insensibilidade deste governo quanto às mortes, desemprego e desamparo do povo é parte do projeto fascista nunca escondido por seus líderes, já que a maioria das vítimas são os negros e pobres.

Portanto, neste Dia do Estudante, vamos evocar a superação deste episódio entristecedor da atual história brasileira a partir de um futuro a ser construído com base na valorização incondicional da educação pública brasileira e da democracia, com o objetivo maior de sempre defender a vida.

Para isso, devemos lembrar que o cenário, hoje, é de emergência. Estão em todos os níveis do ensino brasileiro, exemplificado pelas dificuldades de acesso tecnológico ao ensino remoto e do fornecimento de alimentação aos estudantes do ensino fundamental e médio nas escolas periféricas e na zona rural.

Também é preciso que a defesa da vida seja urgente e que as aulas presenciais retornem somente quando houver segurança total para professores, funcionários e estudantes.

Nas universidades públicas, precisamos de assistência estudantil aos estudantes mais pobres, impedidos de seguir em suas formações à distância. Há a possibilidade real de retrocedermos na popularização da universidade se não tivermos medidas urgentes de auxílio emergencial aos estudantes que mais precisam. E nas instituições privadas, é preciso pensar em medidas para conter a evasão e garantir a graduação para aqueles que se encontram sem renda e sem possibilidade de pagar as mensalidades.

Na pós-graduação, o corte de bolsas e o sufocamento dos orçamentos da pesquisa e da ciência nacionais, as únicas capazes de auxiliar o país diante das crises sanitária, humana e social, são também frutos do descaso do governo Bolsonaro. Não há espaço para mais sufocamento.

Diante desses desafios, o Dia do Estudante em 2020 é, mais do que nunca, o dia de todo o Brasil, o dia do nosso futuro e de ressaltar o nosso grande desafio, construindo nos pilares da democracia e da educação, a defesa da vida.

 *Iago Montalvão é presidente da UNE e Elida Elena é vice- presidente da UNE

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