Educação
Deputado aciona o MP após erro de História em apostilas de R$ 29 milhões em São Paulo
O gasto com material didático que desinforma sobre Segunda Guerra reacende o debate sobre controle de qualidade e uso de recursos públicos
O deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL) protocolou, nesta quinta-feira 5, uma representação no Ministério Público de Contas de São Paulo para cobrar a apuração de possíveis irregularidades na contratação e na distribuição de material didático da rede estadual. As apostilas continham um erro histórico elementar em um capítulo dedicado à Segunda Guerra Mundial.
A denúncia ocorre após estudantes criticarem o erro nas redes sociais. Constava do material, de forma equivocada, que a Segunda Guerra teria ocorrido na década de 1950, quando o conflito, na realidade, se estendeu entre 1939 e 1945.
Nesta semana, outro episódio envolvendo falhas em colégios da rede estadual de São Paulo ganhou repercussão: uma escola cívico-militar de Caçapava, no interior paulista, chamou a atenção devido a erros de português em uma atividade com militares em sala de aula.
Segundo a representação, o governo paulista gastou cerca de 28,9 milhões de reais na produção das apostilas com o erro histórico, destinadas ao segundo ano do ensino médio.
O deputado solicita a investigação dos procedimentos administrativos adotados pela Secretaria da Educação, incluindo os mecanismos de controle de qualidade e a fiscalização da execução contratual. Embora o Executivo tenha reconhecido o erro e informado a adoção de medidas para corrigir o conteúdo, Cortez sustenta que o ajuste posterior não elimina a necessidade de verificar a a regularidade do gasto público.
Cortez requer a abertura de procedimentos pelo Ministério Público de Contas para acompanhar as despesas no caso, bem como a eventual responsabilização de agentes públicos e empresas envolvidos..
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.



