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Projeto no Quênia capacita garotas para área de TI

Educação

Elas são maioria na população e metade da força de trabalho na África. Entretanto, apenas 15% das mulheres africanas possuem profissões relacionadas à tecnologia, segmento estratégico para o desenvolvimento do continente. Considerado o laboratório digital do continente africano, o Quênia é sede de importantes centros de pesquisas e empresas, como Google, Microsoft e IBM.

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A região próxima da capital Nairóbi ganhou o sugestivo nome de “Savana do Silício”, uma alusão ao Vale do Silício, localizado na Califórnia (EUA),  importante polo de desenvolvimento científico em eletrônica e informática do planeta.

Com foco na transformação da vida de muitas quenianas, a desenvolvedora de softwares Linda Kamau fundou, juntamente com um grupo de colegas mulheres do ramo, a organização AkiraChix. O objetivo? Capacitar jovens garotas de comunidades vulneráveis de Nairóbi em tecnologia da informação (TI) através de programas de orientação e treinamento.

“Percebemos que eram pouquíssimas as mulheres africanas que trabalhavam com TI, e queríamos mudar esse quadro. O treinamento tem duração de um ano e elas aprendem web design, programação e pacotes básicos de informática, além de empreendedorismo”, conta Linda. A proposta é que, por meio da habilitação, as jovens possam conquistar melhores oportunidades de trabalho, trazendo retorno financeiro e social para suas comunidades de origem e ampliando a oferta de mão de obra especializada em tecnologia.

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“Essas mulheres vêm de lugares muito pobres, como Kibera, considerada a maior favela do mundo. Portanto, suas perspectivas profissionais costumam ser muito baixas, na maioria das vezes relegadas às ocupações precárias e até mesmo à prostituição”, afirma Linda, que exalta “a oportunidade de se tornarem independentes, arrumarem bons empregos e trilharem seus próprios caminhos”.

A primeira turma instruída pela AkiraChix formou-se em agosto de 2011 e mais da metade das alunas já obteve colocação em empresas do segmento. Fora a capacitação profissional, o projeto desenvolve um trabalho de orientação com alunas do Ensino Médio, no qual são apresentados os possíveis horizontes profissionais no campo da tecnologia. Outra ação, com crianças de 9 a 12 anos, ensina o funcionamento e os mecanismos por trás dos games, um universo que tanto as encanta.

Entre os planos da vice-presidente da AkiraChix está o de expandir o programa para outras cidades. “O programa é tão importante, porque ensinar tecnologia para essas jovens é capacitá-las para a inovação e para a demanda dos próximos tempos”, diz Linda.

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Jornalista formada pela PUC-SP e bacharel em Letras pela USP. Já trabalhou no site da revista Crescer e escreve sobre educação desde 2013.

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